Segundo o relato, uma cliente se aproximou pedindo informações sobre produtos e preços, presumindo que Adenir trabalhava no local
A presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, Adenir Carruesco, usou as redes sociais para relatar um episódio de racismo estrutural vivido em um supermercado de Cuiabá. A magistrada contou ter sido confundida com uma funcionária do estabelecimento enquanto fazia compras no último domingo (17).
Segundo o relato, uma cliente se aproximou pedindo informações sobre produtos e preços, presumindo que Adenir trabalhava no local. Em vídeo publicado nas redes sociais, a desembargadora afirmou que o episódio evidencia a dificuldade da sociedade em reconhecer pessoas negras ocupando cargos de destaque e autoridade.
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“O lugar natural do preto é o serviço. A lógica diz: ‘Preto não é juiz. Preto não é desembargador’. Eu, desembargadora, sem a toga, sou apenas mais um corpo preto que a razão brasileira insiste em enxergar como serviçal”, declarou.
A magistrada afirmou que optou por não registrar boletim de ocorrência, por entender que a configuração criminal exigiria intenção explícita de discriminação. Ainda assim, destacou a importância do debate público sobre racismo estrutural e disse ter recebido relatos semelhantes de diversas pessoas após a repercussão do vídeo.
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Natural de Santa Cruz de Monte Castelo, Adenir Carruesco é a segunda mulher negra a presidir o TRT-23 em Mato Grosso. Ela ingressou na magistratura trabalhista em 1994 e atuou em diferentes cidades do estado até assumir o cargo de desembargadora, em 2021. Atualmente, preside a Corte no biênio 2024/2025.
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