Segundo o último balanço das autoridades, ao menos 80 pessoas morreram e dezenas ainda podem estar desaparecidas no estado americano
“A água está nos levando” foi a última mensagem que Joyce Bandon enviou para sua família. Ela estava em uma casa às margens do rio Guadalupe, no centro-sul do Texas, quando ele transbordou, destruindo tudo em seu caminho. Agora, familiares e amigos se mobilizam para encontrá-la.
Na madrugada de sexta-feira, chuvas torrenciais atingiram várias cidades no condado de Kerr, levando ao transbordamento do rio Guadalupe. A enchente inundou bairros ribeirinhos, derrubou árvores e edifícios, atingiu casas de campo e destruiu áreas onde diversos acampamentos infantis abrigavam crianças durante as férias de verão no Hemisfério Norte.
Joyce, de 21 anos, e outros três amigos estavam na casa de campo de um deles, perto do Guadalupe. Eles tinham ido passar o feriado americano do Dia da Independência. Choveu forte a noite toda e eles não conseguiram sair a tempo para se proteger.
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— A casa desabou por volta das quatro da manhã. A última mensagem que os pais receberam do celular dele foi: ‘A água está nos levando’, depois perderam o sinal — explica à AFP Louis Deppe, 62 anos, líder do grupo de voluntários que participa da busca e amigo da família Bandon.
— Trabalhamos em equipes de duas ou três pessoas. Se for apenas uma pessoa, ela precisa de alguém olhando para outros lados, um dos corpos pode estar a 3 metros em uma árvore, cercado por escombros, uma única pessoa talvez não veja. Quanto mais olhos, melhor.
O rio Guadalupe começa a voltar ao seu nível gradualmente , mas nas margens tudo continua destruído. Como se a fúria da natureza tivesse se inspirado na obra “A Persistência da Memória”, de Salvador Dalí, na margem direita do rio uma vaca está pendurada em uma árvore com a cabeça presa entre os galhos. Ao lado, uma caminhonete aparece destruída com os pneus para cima, enquanto, espalhados entre os escombros, dezenas de peixes mortos que a correnteza arrastou começam a cheirar a decomposição.
O barulho das hélices dos helicópteros em busca de corpos toma conta da área, enquanto equipes de resgate percorrem o Guadalupe em pequenas embarcações. Membros das forças de segurança estaduais patrulham a pé algumas partes do leito vazio do rio. Os escombros, como galhos de árvores e veículos destruídos, aos poucos estão sendo removidos.
CORPOS ENCONTRADOS
Tina Hambly, 55 anos, é mãe da melhor amiga e colega de quarto de Joyce. Ela caminha entre os escombros e carrega uma espécie de remo de caiaque com o qual move galhos e objetos destruídos, na esperança de encontrar algum sinal.
— Estamos cobrindo um trecho de 11 quilômetros. Somos sete equipes e cada uma percorre pouco mais de 1,5 quilômetro, tentando encontrar algum dos quatro ou qualquer outra pessoa. Aqui há famílias e até mesmo desconhecidos ajudando — explica.
Na cidade de Hunt, uma das áreas mais afetadas foi o acampamento de verão Mystic Camp, onde dezenas de meninas de 8 e 9 anos foram dadas como desaparecidas. Seus pertences, como brinquedos, roupas e toalhas, ficaram espalhados, enquanto as cabanas onde dormiam foram invadidas pela lama.
Os voluntários de Joyce também fizeram algumas descobertas.
— Ontem (sábado) começamos pela manhã. Encontramos duas meninas (cedo) e depois, por volta das 10 horas, encontramos outra menina pequena envolta em escombros em uma árvore. Os Rangers (força de elite do Exército) e os policiais nos ajudaram a retirá-la. Fui informado de que era uma das meninas do Mystic Camp, que haviam desaparecido — diz Justin Morales, 36 anos, parte da equipe de voluntários. — Estamos felizes por poder encerrar a tragédia das famílias e esperamos poder continuar procurando e encontrando alguns dos... vocês sabem, quem quer que sejam. Vamos ajudar algumas dessas famílias a ter um desfecho. É por isso que estamos aqui.
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De acordo com o último balanço divulgado pelas autoridades, ao menos 80 pessoas morreram na enchente que alastrou o centro-sul do Texas e dezenas ainda podem estar desaparecidas.
Fonte: O Globo