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Produção industrial surpreende e pode evitar queda do PIB no terceiro trimestre
Foto: Reprodução

Produção Industrial cresceu 0,8% em agosto, acima das expectativas do mercado

O crescimento de 0,8% da produção industrial em agosto, na comparação com julho, surpreendeu os economistas — ainda mais por não ter sido uma alta concentrada, mas disseminada por dois terços dos subsetores. O IBGE também revisou a queda registrada em julho de -0,2% para -0,1%, o que indica uma leve melhora no desempenho da indústria. Ainda assim, na comparação com agosto de 2025, houve retração de 0,7%.

 

No acumulado do ano, o setor industrial apresenta alta de 0,9%. Olhando adiante, os dados de agosto reforçam a expectativa de que o PIB do terceiro trimestre pode não ser negativo, como chegou a se prever. Os indicadores econômicos recentes sinalizam um resultado no campo positivo. O que surpreende, segundo analistas, é o fato de a economia seguir apresentando resistência mesmo com os juros em patamar tão elevado.

 

Entre os 16 dos 25 ramos industriais que registraram aumento na produção, destaca-se o setor de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com avanço expressivo de 13,4%. Nos últimos quatro meses, esse segmento acumula alta de 28,6%, o que tem ajudado a atenuar a desaceleração da indústria. Caio Dianin, pesquisador do FGV Ibre, chama atenção para outros segmentos diretamente ligados ao consumo das famílias, como produtos alimentícios, que cresceram 1,3%, indicando alguma resiliência do consumo.

 

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– A economia está no rumo que esperávamos. Há uma desaceleração nos setores mais cíclicos, com o setor extrativo segurando a queda do ritmo. O dado acima do esperado na indústria reflete principalmente o mercado de trabalho ainda aquecido, que mantém a renda das famílias elevada e sustenta o consumo. Mas já vemos alguma reversão nos dados recentes do Caged, o que pode fragilizar o crescimento do consumo e, por consequência, o avanço dessas categorias e da indústria – explica Dianin.

 

O destaque negativo no resultado industrial ficou por conta dos bens de capital, categoria que indica investimento e expansão da capacidade produtiva no futuro. Houve recuo de 1,4% frente a julho. No acumulado entre janeiro e agosto, a variação é praticamente estável, com -0,1%. Já na comparação com agosto de 2025, a queda é mais expressiva: -5%. Atualmente, os números dos bens de capital estão 30% abaixo do pico de 2013, apesar de estarem em seu melhor patamar desde 2021 — ano em que a pandemia ainda afetava fortemente a economia brasileira. Embora haja uma melhora recente, sob uma perspectiva histórica, a indústria segue muito aquém de seu potencial.

 

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O impacto da sobretaxa imposta pelo governo Trump aos produtos brasileiros, por sua vez, foi relativamente limitado, segundo avaliação de Luís Otávio Leal, economista da G5 Partners. Para André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, "o tarifaço afetou segmentos como madeira, extrativas e móveis", mas sem provocar um impacto mais disseminado. Entre os setores mais atingidos, produtos de madeira registraram queda de 8,6%, móveis, recuo de 5,2%, e artefatos de couro, de 3,6%. 

 

Fonte: O Globo

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