Iniciativa atuou na atenção primária, realizou mais de 81 mil exames e confirmou mais de 2,6 mil diagnósticos em três países
Um projeto coordenado pela Fiocruz desenvolveu estratégias para prevenir a transmissão vertical da doença de Chagas, que ocorre quando a infecção é passada da mãe para o filho durante a gestação ou o parto. A doença é causada pelo parasita Trypanosoma cruzi.
Em parceria com unidades de pesquisa de três países, o projeto Cuida Chagas examinou cerca de 81 mil pessoas e confirmou mais de 2.600 diagnósticos. Um dos principais desafios identificados foi a dificuldade de reconhecer a infecção em recém-nascidos, já que a maioria das crianças infectadas não apresenta sintomas comuns, como prematuridade, baixo peso ao nascer e aumento do fígado e do baço.
Além de levar cuidados de saúde a comunidades, o Cuida Chagas desenvolveu estratégias de busca ativa de casos, contribuiu para a capacitação de profissionais e participou da formação de lideranças comunitárias.Para a pesquisadora Andréa Silvestre, a experiência mostrou que é possível enfrentar a doença de Chagas congênita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), com ações concentradas na atenção primária.
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Entre os legados apontados pela pesquisadora estão a integração da testagem de mulheres em idade fértil e gestantes às rotinas dos serviços, o acompanhamento de crianças expostas à transmissão vertical, a descentralização da coleta de exames e a organização dos fluxos entre atenção primária, vigilância, laboratórios e serviços especializados. O projeto também busca ampliar o acesso ao tratamento e ao cuidado integral das pessoas afetadas.
Para fortalecer o diagnóstico, os profissionais incorporaram medidas como a triagem e o acompanhamento de recém-nascidos. Outra estratégia foi a utilização do teste de PCR, que identifica o DNA do Trypanosoma cruzi na corrente sanguínea. Segundo a pesquisadora, a técnica permite identificar a infecção nos primeiros meses de vida, período em que há grandes chances de cura com o tratamento adequado.
Andréa Silvestre ressalta, porém, que a implementação de novas estratégias não depende apenas da adoção de testes. Segundo ela, é necessário capacitar profissionais, adaptar os processos às diferentes realidades territoriais e construir soluções em conjunto com as equipes locais, pessoas acometidas pela doença e comunidades.
A pesquisadora também destaca a participação social como parte importante do cuidado. Para ela, quando as pessoas conhecem melhor a doença e seus direitos, podem participar mais ativamente das decisões relacionadas à própria saúde e contribuir para o enfrentamento da infecção.
As ações do Cuida Chagas também ultrapassaram os serviços de saúde. De acordo com Andréa Silvestre, em alguns municípios a mobilização contribuiu para a criação de leis e políticas locais que incluíram a doença de Chagas nas agendas públicas.
Segundo a pesquisadora, essas iniciativas podem contribuir para a continuidade das ações e para que estratégias desenvolvidas durante o projeto sejam incorporadas como compromissos permanentes nos territórios.
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Com o encerramento das atividades de campo, o Cuida Chagas entra em uma nova etapa. Segundo a Fiocruz, os dados coletados serão analisados para transformar os resultados da pesquisa em ações concretas voltadas ao desenvolvimento do sistema de saúde.