Araras, tucano e papagaios voltaram ao habitat natural após passarem por um rigoroso processo de recuperação e adaptação realizado em parceria entre o Grupo Atem e o Ibama.
Cinco aves silvestres ganharam uma nova chance de viver em liberdade após concluírem um processo completo de reabilitação realizado pelo Projeto ASAS Atem, desenvolvido em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A soltura, realizada no último dia 2 de julho, marcou a primeira devolução de animais à natureza promovida pelo projeto em Manaus.
Entre os animais reintroduzidos ao habitat natural estavam duas araras, um tucano-de-papo-branco, um papagaio-da-várzea e uma curiquinha-verde. A soltura ocorreu em uma área de floresta próxima ao rio Negro, na Zona Sul da capital amazonense, após meses de recuperação e preparação para o retorno à vida selvagem.
As aves haviam sido resgatadas pelo Ibama em diferentes situações, incluindo casos de tráfico de animais silvestres, maus-tratos, acidentes e entregas voluntárias. Depois dos primeiros cuidados no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), elas foram encaminhadas para a Área de Soltura de Animais Silvestres (ASAS) do Grupo Atem, atualmente a única estrutura desse tipo autorizada pelo Ibama em Manaus.
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O espaço foi criado para proporcionar aos animais um ambiente o mais próximo possível da floresta amazônica, permitindo que readquiram comportamentos essenciais para sobreviverem sozinhos quando retornarem ao seu habitat.
Antes de chegarem à área de adaptação, as aves passam por um criterioso processo de recuperação conduzido por equipes técnicas do Ibama. Muitos dos animais chegam debilitados, feridos ou sem condições de voar devido ao período em cativeiro ou aos maus-tratos sofridos.

Durante essa etapa, recebem atendimento veterinário, avaliações clínicas e sanitárias, acompanhamento constante e exercícios para recuperar a musculatura das asas e a capacidade de voo. Além disso, todos os animais são identificados por meio de anilhas, permitindo que o Ibama acompanhe seu histórico e realize o monitoramento das espécies após a soltura.
Na ASAS Atem, o trabalho continua por aproximadamente dois meses. Nesse período, o contato com seres humanos é reduzido ao mínimo para evitar a domesticação dos animais. A alimentação também passa a reproduzir a dieta encontrada na floresta, incluindo frutos e sementes típicos da Amazônia, como açaí, buriti, pupunha, tucumã, castanhas e bananas.

O objetivo é estimular que as aves recuperem seus instintos naturais, reaprendam a buscar alimento, fortaleçam a musculatura para voos longos e desenvolvam novamente comportamentos fundamentais para viver em liberdade.
Segundo a equipe responsável pelo projeto, o foco não é apenas devolver a capacidade de voar, mas permitir que cada animal volte a agir como um indivíduo verdadeiramente silvestre.
"Mais do que recuperar o voo, queremos que os animais recuperem seus instintos. Aqui eles voltam a ouvir os sons da floresta, sentir o vento, reconhecer os alimentos naturais, reaprender a se orientar e readquirir os comportamentos necessários para sobreviver em liberdade", destaca a equipe do projeto.

Foto: Reprodução
A primeira soltura representa um importante avanço para a conservação da fauna amazônica e demonstra a importância da integração entre órgãos ambientais e a iniciativa privada na recuperação de animais vítimas de crimes ambientais e outros impactos causados pela ação humana.
Para Igor, representante do Grupo Atem, a iniciativa vai além do cumprimento de responsabilidades ambientais e mostra como empresas podem contribuir diretamente para a preservação da biodiversidade.
"Esse projeto exige investimentos em infraestrutura, manutenção,bsegurança, profissionais especializados e monitoramento constante. É uma demonstração concreta de que o setor privado pode desempenhar um papel importante na proteção da fauna amazônica", afirmou.
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A expectativa é que novas aves encaminhadas pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) passem pela área de adaptação nos próximos meses, ampliando o número de animais devolvidos à natureza e fortalecendo as ações de conservação da biodiversidade na região amazônica.