Pesquisas apontam que proteínas de origem vegetal ajudam a microbiota intestinal a produzir compostos benéficos, ampliando os efeitos positivos das fibras na alimentação.
As fibras alimentares já são reconhecidas por seus benefícios ao funcionamento do intestino. Agora, duas pesquisas internacionais mostram que determinadas proteínas presentes em alimentos de origem vegetal também podem desempenhar um papel importante na saúde intestinal.
Os estudos indicam que essas proteínas estimulam as bactérias da microbiota a produzir substâncias ligadas ao equilíbrio do organismo, ao bom funcionamento do intestino e até ao controle do peso corporal.
Os trabalhos, publicados nas revistas científicas Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e Nature Metabolism, analisaram como diferentes componentes dos alimentos vegetais influenciam o metabolismo das bactérias intestinais. Segundo os pesquisadores, essas proteínas atuam em conjunto com as fibras, criando um ambiente mais favorável para a microbiota.
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Batizadas de "proteínas que imitam fibras" (Prif), elas chegam praticamente intactas ao intestino grosso, onde servem de alimento para os microrganismos benéficos. Com isso, estimulam a produção de metabólitos associados à saúde intestinal e reduzem compostos relacionados a doenças renais, distúrbios metabólicos e alguns tipos de câncer.
Para confirmar os resultados, os cientistas acompanharam o percurso dessas proteínas durante a digestão em experimentos com camundongos. Eles verificaram que os compostos considerados benéficos eram produzidos principalmente a partir das proteínas vegetais ingeridas na alimentação.
Outro achado importante mostrou que nem todos os metabólitos dependem exclusivamente das bactérias intestinais. Testes realizados com animais e células humanas revelaram que o próprio organismo também consegue produzir parte dessas substâncias, mesmo quando a microbiota é reduzida pelo uso de antibióticos.
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De acordo com os pesquisadores, as descobertas ampliam o conhecimento sobre a relação entre alimentação, microbiota intestinal e metabolismo. A expectativa é que esses resultados contribuam para o desenvolvimento de estratégias nutricionais mais eficazes na prevenção e no tratamento de doenças relacionadas à saúde do intestino e ao metabolismo.