Mesmo diante de resistências, presidente aposta no ex-chefe do Senado para garantir palanque forte no segundo maior colégio eleitoral do país.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem reafirmado a aliados a intenção de procurar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para convencê-lo a disputar o Governo de Minas Gerais em 2026. A avaliação no Planalto é de que Pacheco seria o nome ideal para liderar um palanque competitivo no segundo maior eleitorado do Brasil e fortalecer a campanha presidencial petista.
Apesar da insistência de Lula, sinais recentes indicam pouca disposição de Pacheco em concorrer. Diante desse cenário, setores do PT e aliados em Minas Gerais passaram a discutir alternativas como plano B, ainda que essas conversas ocorram sem o aval direto do presidente.
Entre os nomes cogitados estão o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), o presidente da Assembleia Legislativa mineira, Tadeu Leite (MDB), conhecido como Tadeuzinho, e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares. Também aparecem nas discussões as prefeitas Marília Campos, de Contagem, e Margarida Salomão, de Juiz de Fora, ambas do PT embora Marília seja mais frequentemente citada como possível candidata ao Senado.
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Lula, no entanto, segue convencido de que Pacheco reúne as melhores condições políticas para a disputa. Nos bastidores, o presidente tem elogiado o senador e busca apoio do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para tentar abrir caminho a uma candidatura. Recentemente, Lula chegou a orientar o presidente nacional do PT, Edinho Silva, a adiar negociações com outros possíveis candidatos enquanto aguardava um posicionamento mais claro de Pacheco.
No diretório petista de Minas, há resistências a uma eventual aproximação com Cleitinho Azevedo. Lideranças locais veem o senador como alinhado ao bolsonarismo e apontam sinais contraditórios, como o apoio recente à mobilização liderada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Já Tadeuzinho, outro nome lembrado, afirmou que atualmente é pré-candidato à reeleição como deputado estadual. Segundo ele, qualquer mudança de rota será discutida com seu grupo político após a conclusão de debates sobre a dívida do estado.
Minas Gerais ocupa papel estratégico no xadrez eleitoral. Historicamente, vencer no estado é um indicativo forte de sucesso na disputa presidencial. Desde 1945, apenas Getúlio Vargas conseguiu ser eleito presidente sem vencer em território mineiro. Em 2022, Lula obteve 50,2% dos votos no estado, margem considerada apertada por aliados diante da polarização prevista para 2026.
Dentro do governo, a avaliação é de que uma eleição presidencial disputada exigirá palanques robustos nos estados-chave. Por isso, Lula tem defendido a construção de uma chapa forte em Minas, que poderia incluir, além de Pacheco, nomes como o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e Marília Campos para o Senado. Também houve sondagens ao ex-prefeito Márcio Lacerda para a vaga de vice, embora ele tenha sinalizado não querer retornar à vida pública.
Pacheco, por sua vez, tem dito a aliados que pretende encerrar sua carreira política ao fim do mandato no Senado, em fevereiro do próximo ano. No ano passado, chegou a ser cogitado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, mas Lula optou por indicar Jorge Messias. Procurado, o senador preferiu não comentar.
Caso decida disputar o governo, Pacheco provavelmente teria de trocar de partido. O PSD, ao qual é filiado, abriga hoje o vice-governador Mateus Simões, pré-candidato com o apoio do atual governador Romeu Zema (Novo). Lula teria sugerido o MDB como caminho mais viável, com articulações conduzidas por senadores como Eduardo Braga e Renan Calheiros. Outra possibilidade seria uma filiação ao União Brasil, desde que oferecidas garantias políticas adicionais.
Com o cenário ainda indefinido, setores do PT mineiro discutem até a possibilidade de lançar a reitora da UFMG, Sandra Goulart, como candidata ao governo, hipótese vista como improvável pela direção nacional do partido.
Enquanto isso, aliados avaliam que Cleitinho pode acabar não disputando o governo e apoiar uma chapa liderada por Mateus Simões, possivelmente indicando seu irmão, o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, como vice alternativa que o senador nega publicamente.
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A definição do tabuleiro político mineiro segue em aberto, mas, no Planalto, a aposta de Lula continua sendo Rodrigo Pacheco como peça central da estratégia para 2026.