Veja como funcionava a dinâmica dos roubos de remédios para câncer por quadrilha no Rio
As imagens registradas pela câmera de segurança de um caminhão flagraram o momento em que uma quadrilha especializada roubou uma carga milionária de medicamentos oncológicos na Linha Vermelha, na Zona Norte do Rio. O crime, ocorrido em 31 de janeiro deste ano, foi um dos principais elementos que levaram a Polícia Civil a identificar a estrutura da organização criminosa, alvo da Operação Metástase, deflagrada nesta terça-feira.
Segundo as investigações, o motorista foi rendido por criminosos fortemente armados e obrigado a seguir até o Complexo da Maré, onde a carga foi descarregada por mais de 15 homens armados, apontados como integrantes da quadrilha.
A Justiça do Rio converteu em prisão preventiva a detenção de três suspeitos presos durante a operação. Na decisão, o Judiciário destacou não apenas a violência empregada pelo grupo, mas também a suspeita de que medicamentos de alto custo tenham sido adulterados e recolocados ilegalmente no mercado, colocando em risco a vida de pacientes.
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De acordo com o depoimento da vítima, os criminosos ainda tentaram aliciá-lo, oferecendo participação no esquema em troca de informações privilegiadas sobre futuras cargas de medicamentos.
ATAQUE DUROU APENAS TRÊS MINUTOS
As imagens mostram que toda a ação aconteceu em cerca de três minutos. Por volta das 11h59, dois carros e uma motocicleta cercaram o caminhão na Linha Vermelha. Um dos veículos realizou manobras perigosas para obrigar o motorista a parar no acostamento.
Sob a mira de armas, a vítima foi obrigada a dirigir até uma entrada do Complexo da Maré. No local, mais de 15 criminosos encapuzados, armados com fuzis e pistolas, aguardavam a chegada do caminhão para descarregar a carga. Outros integrantes da quadrilha desceram dos veículos e ordenaram que o compartimento fosse aberto.
ESQUEMA MOVIMENTOU MAIS DE R$ 33 MILHÕES
As investigações revelaram que a organização criminosa roubava medicamentos contra o câncer e imunossupressores para revendê-los a hospitais privados e até instituições públicas, utilizando empresas de fachada e participando de licitações com preços abaixo do mercado.
SEGUNDO A POLÍCIA CIVIL, O GRUPO MOVIMENTOU MAIS DE R$ 33 MILHÕES ENTRE 2025 E 2026.
Após os roubos, os medicamentos eram levados para áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré, onde ficavam armazenados antes de serem redistribuídos para diversos estados.
Ao todo, a investigação identificou pelo menos 25 empresas de fachada espalhadas pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará, utilizadas para dar aparência legal ao esquema criminoso.
CHEFE DA QUADRILHA FOI PRESO COM CARGA MILIONÁRIA
Entre os presos está Stefano Mantovani Fernandes, apontado como líder da organização. Ele foi localizado em Santo André (SP), onde policiais encontraram um veículo Jaguar carregado com dezenas de caixas de medicamentos roubados dias antes no interior paulista. A carga foi avaliada em aproximadamente R$ 4,6 milhões.
PACIENTES PODEM TER SIDO COLOCADOS EM RISCO
A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) alertou que medicamentos oncológicos precisam seguir rígidos protocolos de armazenamento e controle de temperatura. Qualquer violação pode comprometer a eficácia dos tratamentos ou até provocar riscos graves à saúde dos pacientes.
A ENTIDADE DEFENDEU O RECOLHIMENTO IMEDIATO DE TODOS OS LOTES
CUJA ORIGEM E INTEGRIDADE NÃO POSSAMSER COMPROVADAS
A chegada das equipes policiais ao Complexo da Maré provocou intenso confronto armado. Criminosos incendiaram barricadas para dificultar o avanço das forças de segurança, afetando o trânsito na Linha Vermelha.
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A Operação Metástase também cumpriu mandados em São Paulo, Goiás e Pará, além da Baixada Fluminense. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens ligados ao grupo criminoso.