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Quase metade das mulheres continua sentindo dores crônicas mesmo após vencer o câncer de mama
Foto: Natee Meepian / Getty Images

Sequelas nos nervos, inflamações e fatores emocionais explicam a permanência de desconfortos físicos na fase de pós-cura da doença

O fim do tratamento contra o câncer de mama nem sempre representa o encerramento dos problemas de saúde enfrentados pelas pacientes. Uma metanálise que reuniu dados de aproximadamente 300 mil mulheres identificou que quase metade das pacientes submetidas à cirurgia desenvolve algum tipo de dor persistente. Em cerca de uma a cada quatro, os sintomas apresentam intensidade moderada ou grave.

 

As dores costumam atingir principalmente a região do tórax, os ombros e as axilas. Uma das causas está relacionada às intervenções cirúrgicas para retirada do tumor, que podem provocar cortes ou compressões em nervos periféricos. Esse quadro é conhecido como neuralgia intercostobraquial e pode provocar desconforto prolongado, mesmo depois da recuperação da cirurgia.

 

Outros procedimentos também podem contribuir para o problema. A retirada de linfonodos aumenta o risco de dores contínuas, enquanto a radioterapia pode provocar fibrose, caracterizada pelo endurecimento dos tecidos. Alguns medicamentos utilizados na quimioterapia também afetam os nervos sensitivos, favorecendo o surgimento de dores. Em determinados casos, o próprio sistema nervoso passa a amplificar os sinais dolorosos.

 

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A pesquisa também aponta fatores que podem aumentar a probabilidade de dor crônica. Mulheres com obesidade apresentam incidência aproximadamente 80% maior do problema, enquanto a falta de atividade física pode reduzir a força muscular e a mobilidade dos ombros. Além das limitações físicas, a persistência dos sintomas pode afetar a autoestima, a saúde emocional e o retorno às atividades profissionais e familiares.

 

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O acompanhamento após o câncer exige atenção para diferenciar sequelas do tratamento de possíveis sinais de retorno da doença. Quando não há lesões ativas, especialistas recomendam uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir fisioterapia, exercícios orientados, acompanhamento psicológico e tratamentos específicos para controle da dor. Técnicas como bloqueios nervosos e radiofrequência também podem ser utilizadas para proporcionar alívio e ajudar as pacientes a recuperar a qualidade de vida. 

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