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Quatro anos depois do título invicto, cavalo aponta organização como segredo do Rio Negro
Foto: Divulgação

Ex-técnico do Galo da Praça da Saudade relembrou a campanha de 2022, criticou a falta de planejamento nas temporadas seguintes e defendeu a reconstrução do clube

Quatro anos após conquistar o Campeonato Amazonense da Série B de forma invicta e garantir o retorno do Rio Negro à elite estadual, o técnico João Carlos Cavalo relembrou os bastidores daquela campanha e apontou a organização como um dos principais fatores para o sucesso da equipe.

 

Em entrevista exclusiva à reportagem de A Crítica nesta segunda-feira (21), data que marca o aniversário da conquista, Cavalo destacou que o planejamento começou meses antes da competição. Segundo ele, a montagem do elenco foi discutida ainda em dezembro de 2021, com participação de dirigentes e integrantes da comissão técnica.

 

“A grande diferença dessa conquista foi a organização. Eu me lembro que fui chamado para conversar com o Cristian e com o Gilson, ainda no ano anterior, em dezembro de 2021, para trabalhar nesta Série B. E aí fizemos a montagem do plantel, escolhemos detalhadamente os atletas com o Gilson, o Cristian e o Ribamar. Então, um dos pontos principais foi a gente ter começado bem antes e ter se organizado”, relembrou.

 

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Além da montagem antecipada do elenco, o treinador destacou as condições oferecidas aos jogadores durante a campanha. Salários em dia, alimentação e estrutura de trabalho, segundo Cavalo, contribuíram para que o time alcançasse o acesso e terminasse a competição sem derrotas.

 

“Em seguida vieram as condições de trabalho. Salários em dia, alimentação, estrutura de trabalho e, dentro de campo, conseguimos o acesso, foi um título invicto, então tudo ali valeu a pena”, afirmou.

 

A conquista teve ainda um significado pessoal para o treinador. Cavalo destacou a ligação histórica com o Rio Negro, clube pelo qual atuou como jogador e onde também iniciou a trajetória como treinador.

 

“Eu gostaria de ressaltar o carinho de ter defendido as cores do Rio Negro, pois é o clube do meu coração, o que me deu a primeira oportunidade como atleta e como treinador também. Fui tetracampeão amazonense como jogador e depois tive a oportunidade de conquistar este título também”, disse.

 

Depois do acesso, o Rio Negro disputou a primeira divisão do Campeonato Amazonense em 2023 e 2024. Na primeira temporada na elite, o clube conseguiu permanecer na competição com Cavalo no comando e Cristian Juan e Gilson Gabriel atuando na gestão.

 

O cenário mudou no ano seguinte. Em meio a uma crise política interna, o então presidente Jefferson Oliveira renunciou ao cargo e Washington Deneriaz assumiu a direção. Com a saída de nomes ligados à organização das temporadas anteriores, o clube enfrentou dificuldades na montagem do elenco.

 

Em 2024, ano em que acabou rebaixado, Sidney Bento, irmão de João Carlos Cavalo, comandou a equipe. Segundo Cavalo, o time foi formado de maneira acelerada e sem o mesmo planejamento adotado durante a campanha do acesso.

 

“O Rio Negro pecou pela falta de organização e planejamento. Em seguida, quando fizemos o time da primeira divisão, tivemos o mesmo planejamento para ter uma equipe competitiva. É claro que encontramos um Campeonato Amazonense forte, mas mesmo assim, a gente se manteve”, analisou.

 

O treinador também lamentou a saída de dirigentes que, segundo ele, tiveram papel importante na estruturação do clube.

 

“Depois desse ano, as maiores forças do Rio Negro acabaram saindo, o Gilson e o Cristian. O clube acabou perdendo respaldo em organização e credibilidade. E aí, você formar um clube por formar, só para dizer que você vai participar, culminou em toda essa situação vexatória”, afirmou.

 

Cavalo citou ainda a montagem tardia do elenco como um dos problemas enfrentados pelo Rio Negro. Para ele, iniciar uma competição sem tempo adequado para treinar e preparar a equipe prejudica o desempenho dentro de campo.

 

“Infelizmente a gente estava longe, mas mesmo assim acompanhando. O Rio Negro montou uma equipe uma semana antes de começar o campeonato, não dá tempo de treinar, não dá tempo de fazer nada, pecando em organização e nos salários atrasados”, declarou.

 

Nas temporadas de 2025 e 2026, o Rio Negro optou por não disputar a Série B do Campeonato Amazonense e ficou afastado das competições profissionais. Enquanto isso, o Nacional, tradicional rival do Galo da Praça da Saudade, voltou a conquistar o Campeonato Amazonense e garantiu o acesso à Série C do Campeonato Brasileiro.

 

Cavalo afirmou ter recebido informações de que o Rio Negro trabalha para regularizar pendências e pagar antigos compromissos com atletas. Para o treinador, esse processo pode representar uma etapa importante para a reconstrução do clube.

 

“Eu fiquei sabendo que o Rio Negro está limpando o nome e pagando os atletas. Acho que isso é forma de, no ano que vem, voltar forte e estruturado. Acho que esse deve ser o primeiro passo”, afirmou.

 

O treinador também destacou a importância de Rio Negro e Nacional retomarem protagonismo no futebol amazonense e voltarem a disputar competições nacionais.

 

“Eu torço muito para que o nosso futebol possa reviver os tempos de Rio Negro e Nacional forte. O Nacional agora alcançou uma qualificação para a Série C, é um passo grande e espero que consiga se manter”, disse.

 

Para Cavalo, uma eventual reconstrução do Rio Negro poderia começar pelo retorno ao Campeonato Amazonense e, posteriormente, pela busca de espaço em competições nacionais.

 

“E o Rio Negro vindo forte, daqui a pouco consegue voltar ao Campeonato Amazonense, depois briga para disputar um Brasileiro e subir de divisão. Precisamos voltar a ter as grandes forças do futebol amazonense na elite, ou em uma Série C ou Série B do Brasileiro”, concluiu.

 

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Ao relembrar a campanha de 2022, Cavalo reforçou que, na avaliação dele, planejamento, estrutura e organização foram determinantes para transformar o Rio Negro em uma equipe competitiva. Agora, o treinador espera que esses mesmos pilares sejam retomados para que o clube volte a ocupar espaço no futebol do Amazonas. 

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