Número de ocorrências provocadas por incêndios cresceu 242,8% entre 2020 e 2025, segundo dados da Aneel analisados pela Abradee
As queimadas têm provocado impactos cada vez maiores no fornecimento de energia elétrica no Brasil. Entre 2020 e 2025, o número de interrupções atribuídas a incêndios aumentou 242,8%, passando de 24.994 para 85.674 ocorrências, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) analisados pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee).
Somente entre 2024 e 2025, o país registrou 162.775 interrupções relacionadas a queimadas. A Região Norte respondeu por 31,04% desse total, ficando atrás apenas do Nordeste, que concentrou 50,86% dos casos. Juntas, as duas regiões representaram mais de 80% das ocorrências registradas no período.
Na comparação entre os dois últimos anos, também houve aumento. O número de interrupções passou de 77.101, em 2024, para 85.674, em 2025, uma alta de 11,12%.
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O período de maior risco para a rede elétrica coincide com a estação mais seca do ano. A partir de julho, a redução das chuvas e da umidade favorece a propagação das queimadas, com o cenário se intensificando principalmente entre agosto e outubro.
Nos registros acumulados de 2024 e 2025, setembro foi o mês com maior número de ocorrências, com 19.674 interrupções. Agosto apareceu na sequência, com 16.889, enquanto outubro contabilizou 15.443. Somados, os três meses concentraram mais da metade dos casos registrados nos dois anos.
Em 2025, o período crítico se estendeu até outubro, sinalizando uma possível ampliação da janela de risco para estruturas do sistema elétrico.
Entre os estados, o Pará apresentou o maior número de ocorrências no acumulado de 2024 e 2025, com 48.822 interrupções. Pernambuco aparece em seguida, com 29.396, enquanto a Bahia registrou 23.600 casos.
Considerando apenas os números de 2025, o Pará contabilizou 26.441 ocorrências, seguido por Pernambuco, com 17.123, e pela Bahia, com 14.113.
Os efeitos das queimadas sobre a rede elétrica não acontecem apenas quando as chamas atingem diretamente postes, cabos ou equipamentos. A fumaça e a fuligem, associadas ao calor intenso e às correntes de ar geradas pelos incêndios, também podem provocar falhas no sistema e levar a desligamentos preventivos.
Para tentar reduzir os impactos, as distribuidoras têm ampliado o uso de drones, helicópteros, sensores térmicos e sistemas de monitoramento. As empresas também realizam inspeções, manutenções preventivas e limpeza das faixas de segurança próximas às redes elétricas.
Segundo a Abradee, a prevenção depende da atuação conjunta das distribuidoras, órgãos públicos, Corpo de Bombeiros e população.
RISCO PARA A AMAZÔNIA
As condições observadas em 2026 também exigem atenção na Amazônia. Segundo o chefe de Operações Meteorológicas da Climatempo, Pedro Regoto, os dados registrados até meados de junho já apontavam para um cenário de atenção durante a estação seca.
O especialista destacou o aumento dos focos de calor na região e a permanência de um corredor considerado crítico que passa por Mato Grosso, Pará, Tocantins, Maranhão e Bahia.
O monitoramento é especialmente importante em áreas onde a vegetação fica próxima a linhas de transmissão, postes e outros equipamentos da rede elétrica.
Para reduzir o risco de incêndios, a Abradee orienta a população a não utilizar fogo para limpar terrenos ou áreas rurais e a não soltar balões, prática proibida pela legislação. Também é recomendado evitar fogueiras próximas à vegetação e à rede elétrica e não descartar cigarros em áreas secas ou às margens de rodovias.
Em caso de incêndio próximo à infraestrutura elétrica, a orientação é manter distância de postes, fios e equipamentos e não tentar combater as chamas por conta própria.
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A população deve acionar o Corpo de Bombeiros pelo número 193 e informar a distribuidora responsável pelo fornecimento de energia na região.