Apuração sigilosa mobiliza milhares de checagens em meio à crise institucional e ao caso Banco Master.
A Receita Federal do Brasil iniciou um rastreamento interno para apurar possível quebra de sigilo de dados fiscais de cerca de 100 pessoas, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal e seus familiares. O pedido partiu do ministro Alexandre de Moraes no âmbito de investigações em curso na Corte.
A análise envolve pais, filhos, irmãos e cônjuges dos magistrados e exige cerca de 8 mil procedimentos de verificação em mais de 80 sistemas da Receita. Os relatórios já concluídos vêm sendo enviados diretamente ao gabinete do ministro.
A apuração ocorre em meio à crise institucional desencadeada por suspeitas de vazamentos de informações fiscais e bancárias relacionadas ao escândalo do Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro. O caso intensificou tensões entre o Supremo e a Polícia Federal do Brasil, que chegou a ser acusada por integrantes da Corte de investigar ministros sem respaldo legal.
Veja também

Ministros relatam falta de confiança e veem Fachin isolado após caso Toffoli
Homenagem a Lula na Sapucaí coloca política em destaque e acende alerta entre partidos
A solicitação de Moraes foi feita dentro do inquérito das fake news, aberto em 2019, e também envolve pedidos de análise ao Coaf. Ministros do tribunal discutem a possibilidade de ampliar investigações sobre condutas de órgãos públicos e eventuais responsabilidades do governo federal.
A crise ganhou novos capítulos após o diretor-geral da PF entregar relatório ao presidente do STF, Edson Fachin, com mensagens atribuídas a Vorcaro sobre pagamentos a uma empresa da qual o ministro Dias Toffoli é sócio. Toffoli confirmou participação societária, mas negou ter recebido valores.
Sob pressão, o ministro deixou a relatoria do caso. O episódio se agravou após suspeitas de gravação e vazamento de reuniões internas, divulgadas pelo site Poder360. Reportagens do jornal O Globo também ampliaram a repercussão ao revelar contratos envolvendo familiares de magistrados e o banco investigado.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
O procedimento segue sob sigilo judicial, e a Receita informou que não comenta demandas desse tipo sem autorização do STF.