Estudo mostra que sítios preservados ajudam a conter a perda de biodiversidade e são essenciais no combate às mudanças climáticas.
Um novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura destaca a importância global dos sítios protegidos pela entidade na preservação ambiental e no bem-estar das populações. O documento foi divulgado nesta terça-feira (21), em Paris, e evidencia o papel estratégico dessas áreas diante dos desafios climáticos e da perda de biodiversidade.
No Brasil, exemplos relevantes incluem o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, reconhecido como Patrimônio Mundial em 2024, e o Parque Nacional do Iguaçu, incluído na lista desde 1986. Esses locais abrigam rica biodiversidade, com milhares de espécies de plantas e animais, incluindo algumas ameaçadas de extinção.
Segundo o relatório, apesar da queda global de 73% nas populações de animais selvagens desde 1970, as espécies que vivem em áreas protegidas pela Unesco têm se mantido relativamente estáveis. Além disso, cerca de um quarto desses territórios está em regiões habitadas por povos indígenas, que desempenham papel fundamental na conservação ambiental.
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O estudo, intitulado People and Nature in Unesco Sites, analisa mais de 2.260 áreas protegidas, que somam mais de 13 milhões de km² uma extensão superior à de países como China e Índia juntos. Essas regiões concentram mais de 60% das espécies conhecidas no planeta, sendo que cerca de 40% delas não existem em nenhum outro lugar.
Outro dado relevante é o papel dessas áreas no armazenamento de carbono: estima-se que guardem cerca de 240 gigatoneladas, contribuindo significativamente para a regulação do clima global. Apenas as florestas desses sítios são responsáveis por aproximadamente 15% da absorção de carbono no mundo.
Apesar da relevância, o relatório alerta para o aumento das pressões ambientais. Cerca de 90% dos sítios enfrentam níveis elevados de estresse, e os riscos relacionados às mudanças climáticas cresceram 40% na última década. A projeção indica que mais de um quarto dessas áreas pode atingir pontos críticos até 2050, com consequências irreversíveis.
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Foz do Iguaçu (PR), 19/07/2025 - Cataratas do Iguaçu, no Parque Nacional do
Iguaçu. Conjunto de 275 quedas d'água localizadas na fronteira entre o Brasil
e a Argentina. inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco, em 1986.
Foto-arquivo: Tânia Rêgo/Agência Brasil Tânia Rêgo/Agência Brasil
O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, ressaltou que esses territórios demonstram como é possível equilibrar conservação ambiental e desenvolvimento humano. Segundo ele, é urgente ampliar investimentos e integrar essas áreas às estratégias globais de combate às mudanças climáticas.
O documento também destaca a forte conexão entre natureza e sociedade nesses locais, que abrigam cerca de 900 milhões de pessoas e uma grande diversidade cultural, com mais de mil línguas registradas.
Entre as recomendações estão a restauração de ecossistemas, o fortalecimento da cooperação internacional, a inclusão dos sítios da Unesco em políticas climáticas e a ampliação da participação de comunidades locais e povos indígenas na gestão dessas áreas.
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A conclusão do relatório reforça que proteger esses territórios é essencial não apenas para conservar a biodiversidade, mas também para garantir qualidade de vida e sustentabilidade para as futuras gerações.