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Relatórios revelam que Elon Musk doou R$ 85 milhões a aliados de Trump antes de anunciar criação de seu próprio partido
Foto: Reprodução

Doações ressaltam a influência de Musk na política dos EUA e levantam novas questões sobre qual papel que o empresário pode desempenhar nas próximas eleições

No dia 27 de junho, o bilionário Elon Musk doou US$ 15 milhões (R$ 85 milhões na cotação atual) para os super PACs, grupos que favorecem o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de republicanos do Congresso, com anúncios durante eleições.

 

As doações, divulgadas pela rede americana CNN com base em relatórios de financiamento de campanha, ressaltam a influência de Musk na política dos EUA e levantam novas questões sobre qual papel que o empresário pode desempenhar nos próximos pleitos.

 

As doações de US$ 5 milhões (cerca de R$ 28 milhões) destinadas à MAGA (Make America Great Again) Inc., ao Fundo de Liderança do Senado e ao Fundo de Liderança do Congresso ocorreram em meio à amarga tensão entre Musk e Trump sobre a legislação de gastos federais — e poucos dias antes do bilionário declarar que formaria seu próprio partido político, o "Partido América".

 

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Nos relatórios de financiamento de campanha, o CEO da Tesla surgiu como o maior contribuinte individual para cada um desses super PACs do Congresso. Em paralelo, documentos da Comissão Eleitoral Federal mostram que Musk investiu mais de US$ 45 milhões (aproximadamente R$ 250 milhões) de seu próprio dinheiro neste ano no America PAC, o grupo que ele supervisionava enquanto trabalhava, sem sucesso, para moldar o resultado de uma eleição para a Suprema Corte de Wisconsin, em abril.

 

Nas eleições de 2024, por exemplo, Musk gastou mais de US$ 290 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão) para ajudar a eleger Trump e seus aliados no Congresso. Com isso, o bilionário atuou como conselheiro sênior da Casa Branca e líder do Departamento de Eficiência Governamental, voltado para cortes de custos, antes de se afastar do governo para se concentrar em suas empresas.

 

Elon Musk pode ter caído no limbo da política em Washington, quando deixou o cargo de conselheiro de Trump, mas, enquanto trabalha para construir um próprio partido político, seu poder sobre a plataforma X permanece estável.

 

A influência de Musk na plataforma que ele comprou por US$ 44 bilhões (cerca de R$ 250 bilhões) o tornou um formador de opinião nos EUA e no exterior. Entre aqueles que ele escolheu cultivar, estão políticos de extrema direita e influenciadores de toda a Europa, de acordo com uma análise de dados realizada pela agência Associated Press (AP). Seu domínio, que tem impactos financeiros e políticos reais, está alimentando preocupações na Europa sobre interferência estrangeira – não da Rússia ou da China desta vez, mas dos Estados Unidos.

 

Essa influência pôde ser vista no caso de uma política alemã, que é integrante de um partido que foi classificado como extremista pela própria agência de inteligência interna do país. Sua audiência diária no X, por exemplo, aumentou de 230 mil para 2,2 milhões nos dias em que Musk interagiu com suas postagens. A política levou seu partido ao melhor resultado eleitoral de sua história.

 

Outro caso é do ativista anti-imigração do Reino Unido, que foi banido do X e condenado a 18 meses de prisão por desacato ao tribunal. Desde que Musk o deixou voltar à plataforma, no final de 2023, ele mencionou, republicou ou respondeu ao bilionário mais de 120 vezes na plataforma — e ganhou quase 1 milhão de seguidores.

 

A análise da AP mostra como Musk está ajudando a unir nacionalistas além das fronteiras em uma causa comum para deter a Imigração, derrubar políticas progressistas e promover uma visão absolutista da liberdade de expressão. Embora seus esforços tenham provocado reações negativas em alguns países, a promoção de Musk por uma aliança crescente de partidos e indivíduos de extrema direita ajudou a abalar as relações entre os Estados Unidos e a Europa por mais de oito décadas.

 

O envolvimento de Musk não garante um aumento no número de seguidores ou visualizações de página. Mas a AP descobriu que isso pode ter um impacto enorme, especialmente em influenciadores em ascensão. Uma conta que começou com cerca de 120 mil seguidores quando Musk assumiu o Twitter em outubro de 2022 atingiu 1,2 milhão em janeiro deste ano. Outras sete contas europeias tiveram aumentos de seis dígitos no número de seguidores durante o mesmo período.

 

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Agora, comentaristas, políticos e ativistas de extrema direita na Europa descobriram um segredo para expandir sua influência: interagir com Elon Musk.

 

Fonte:O Globo

 

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