Pesquisa publicada na Nature Medicine associou levetiracetam a maior sobrevida em pacientes com glioma difuso de linha média; resultados ainda precisam ser confirmados em ensaios clínicos
Um medicamento já utilizado no tratamento da epilepsia pode ter um efeito inesperado contra um tipo raro e agressivo de tumor cerebral que afeta crianças. Estudo publicado na revista Nature Medicine aponta que o levetiracetam pode reduzir o crescimento dos gliomas difusos da linha média, tumores que surgem em regiões centrais do cérebro, tronco cerebral e medula espinhal.
Os pesquisadores analisaram dados retrospectivos de 218 pacientes pediátricos e observaram uma associação entre o uso do levetiracetam e maior sobrevida entre crianças com glioma difuso da linha média. Nesse grupo, a sobrevida mediana foi de cerca de 21 meses entre os pacientes que usavam o medicamento, contra aproximadamente 10 meses entre aqueles que não utilizavam a substância.
Além dos dados clínicos, experimentos realizados em modelos animais indicaram que o medicamento reduziu a multiplicação das células tumorais e o volume dos tumores, prolongando a sobrevivência dos camundongos. Os cientistas acreditam que o efeito está relacionado à interferência do levetiracetam na comunicação elétrica entre neurônios e células cancerígenas.
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O estudo aponta que esse tipo de câncer consegue utilizar sinais enviados pelos neurônios para estimular seu próprio crescimento. O levetiracetam teria reduzido especificamente a transmissão de sinais mediados pelo neurotransmissor GABA nas células do tumor, sem apresentar o mesmo efeito em outros tipos de glioma cerebral infantil.
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Apesar dos resultados considerados promissores, os pesquisadores ressaltam que ainda são necessários estudos clínicos prospectivos para confirmar se o medicamento realmente aumenta a sobrevida e pode ser incorporado ao tratamento dos tumores. Portanto, o levetiracetam continua sendo um anticonvulsivante, e os resultados não significam que ele já seja um tratamento comprovado contra o câncer cerebral em crianças.