Transferências para países de baixa e média renda chegaram a US$ 728 bilhões em 2025; América Latina e Caribe registraram avanço de 132% no período
O dinheiro enviado por trabalhadores imigrantes para familiares que vivem em seus países de origem cresceu 94% em uma década e alcançou cerca de US$ 728 bilhões em 2025. Os dados foram divulgados pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), agência das Nações Unidas.
O crescimento das remessas foi muito superior ao aumento da população migrante. Enquanto o volume de dinheiro transferido quase dobrou em dez anos, o número de imigrantes cresceu 28% no mesmo período.
Atualmente, cerca de 220 milhões de pessoas que vivem fora de seus países de origem contribuem para o sustento de mais de 1 bilhão de familiares. As transferências individuais variam, em média, entre US$ 300 e US$ 400 e costumam ser realizadas de nove a dez vezes por ano.
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O levantamento mostra ainda a importância dessas remessas para as economias dos países que recebem os recursos. O valor enviado por trabalhadores no exterior foi aproximadamente quatro vezes maior do que o financiamento concedido por governos de países ricos para apoiar o desenvolvimento econômico das nações mais pobres.
A maior parte do dinheiro tem como destino despesas essenciais. Cerca de 75% dos recursos são utilizados pelas famílias para alimentação, moradia e outras necessidades imediatas. O restante é direcionado para áreas como saúde, educação, poupança e abertura de pequenos negócios.
Na América Latina e no Caribe, o crescimento das remessas foi ainda mais expressivo. Os envios aumentaram 132% em dez anos, com destaque para países como Honduras, El Salvador e Nicarágua. Nessas nações, os valores recebidos do exterior chegam a representar até 30% do Produto Interno Bruto (PIB).
Quase metade de todo o dinheiro enviado para países de baixa e média renda teve como destino cinco nações: Índia, México, Filipinas, Egito e Paquistão.
No Brasil, as remessas recebidas também apresentaram crescimento. Em 2025, o país recebeu aproximadamente US$ 4,7 bilhões enviados por trabalhadores que vivem no exterior, valor 74% superior ao registrado em 2016.
Apesar do aumento, a participação das remessas na economia brasileira permanece relativamente pequena. No ano passado, os recursos representaram menos de 0,5% do PIB nacional.
A expectativa do Fida é de que o fluxo continue aumentando nos próximos anos. A projeção indica que, até 2030, os países de baixa e média renda poderão receber cerca de US$ 3,6 trilhões em remessas enviadas por trabalhadores que vivem no exterior.
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O relatório também cita o Pix, sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, como exemplo de infraestrutura pública que pode facilitar esse tipo de transferência. Segundo o documento, tecnologias que reduzem etapas e custos ajudam o dinheiro a chegar de forma mais rápida às famílias que dependem desses recursos.