Obra religiosa reacende debate sobre limites entre arte, restauração e política na Itália.
Uma restauração realizada em uma igreja no centro de Roma chamou a atenção das autoridades italianas após um anjo retratado em uma pintura passar a apresentar traços semelhantes aos da primeira-ministra Giorgia Meloni. O caso foi revelado neste sábado (31) pelo jornal La Repubblica e levou o Ministério da Cultura da Itália a abrir uma investigação para apurar o ocorrido.
A obra está localizada em uma capela da Basílica de São Lourenço, em Lucina, e, segundo a reportagem, um dos dois anjos retratados teria deixado de ter feições genéricas para ganhar características parecidas com as da líder conservadora de 49 anos a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do país. O jornal publicou imagens comparativas do antes e depois da restauração, destacando a mudança visual.
Diante da repercussão, Giorgia Meloni tratou o assunto com leveza. Em uma publicação nas redes sociais, compartilhou a imagem do anjo acompanhada da legenda: “Não, definitivamente não pareço um anjo”, seguida de um emoji de risada.
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O Ministério da Cultura informou que determinou ao responsável pelo patrimônio artístico de Roma uma inspeção imediata na pintura restaurada, a fim de avaliar a intervenção e definir eventuais providências administrativas.
A restauração também foi alvo de críticas políticas. O Movimento Cinco Estrelas, partido de oposição, afirmou que a arte não pode ser utilizada como instrumento de propaganda, independentemente de quem seja a figura retratada. Para o grupo, o episódio levanta preocupações sobre o uso indevido do patrimônio cultural.
O pároco da basílica, Daniele Micheletti, explicou à agência ANSA que a capela havia sofrido danos causados por infiltrações de água e precisou passar por restauração. Segundo ele, as pinturas originais datam do ano 2000 e não possuem proteção patrimonial especial.
O trabalho foi realizado pelo próprio autor da obra original, o artista Bruno Valentinetti, que negou ter feito qualquer alteração proposital. “Eu apenas restaurei o que já estava lá há 25 anos”, afirmou, rebatendo as acusações de ter modificado a imagem para se assemelhar à chefe de governo italiana.
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O episódio segue em análise pelas autoridades culturais e reacende o debate sobre os limites éticos e técnicos das intervenções artísticas em espaços religiosos.