Medicamento experimental apresentou redução média de até 21,5 quilos em adultos com diabetes tipo 2 após 80 semanas, mas ainda não foi aprovado para uso clínico.
A retatrutida, medicamento experimental desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, apresentou resultados superiores aos do Ozempic na perda de peso e no controle da glicose em adultos com diabetes tipo 2. Os dados foram divulgados na quarta-feira (28), após um estudo clínico de fase 3 que comparou diretamente as duas substâncias durante 80 semanas.
A pesquisa, denominada TRANSCEND-T2D-2, envolveu 1.298 adultos com diabetes tipo 2. Os participantes receberam aplicações semanais de retatrutida, nas doses de 9 mg ou 12 mg, ou semaglutida, princípio ativo do Ozempic, na dose de 2 mg. O objetivo foi avaliar os efeitos dos tratamentos sobre o peso corporal e os níveis de glicose no sangue.
Após 80 semanas, os participantes que receberam 9 mg de retatrutida perderam, em média, 20,1 quilos. Entre aqueles tratados com a dose de 12 mg, a redução média chegou a 21,5 quilos. No grupo que recebeu Ozempic, a perda média foi de aproximadamente 9,5 quilos.
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O medicamento experimental também apresentou resultados superiores no controle glicêmico. A hemoglobina glicada, indicador utilizado para avaliar a média dos níveis de açúcar no sangue nos últimos meses, caiu 2,2 pontos percentuais entre os participantes tratados com retatrutida. No grupo que recebeu semaglutida, a redução foi de 1,8 ponto percentual.
A diferença entre as substâncias está no mecanismo de ação. Enquanto a semaglutida atua no receptor do hormônio GLP-1, a retatrutida estimula três receptores hormonais: GLP-1, GIP e glucagon. Essa combinação busca atuar no controle do apetite, na regulação da glicose e no metabolismo energético, favorecendo a redução do peso corporal.
Os pesquisadores também observaram melhorias em fatores associados ao risco cardiovascular, como colesterol não HDL, triglicerídeos e pressão arterial sistólica. No entanto, os resultados detalhados desses indicadores ainda serão apresentados em uma reunião científica e publicados em revista especializada com revisão por pares.
Apesar dos resultados promissores, o tratamento também apresentou efeitos adversos, principalmente gastrointestinais. Entre as reações relatadas estão diarreia, náusea, vômitos e constipação. A interrupção do tratamento devido a efeitos adversos foi mais frequente entre os participantes que receberam retatrutida nas doses mais elevadas do que no grupo tratado com semaglutida.
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A retatrutida permanece em fase de investigação e ainda não possui aprovação para uso clínico no Brasil ou em outros países. Por isso, os resultados não significam que o medicamento já esteja disponível para tratamento da obesidade ou do diabetes. A substância continuará sendo avaliada em estudos para determinar sua segurança e eficácia antes de uma eventual autorização regulatória.