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Rio Negro acelera vazante e perde 36 centímetros em apenas dois dias em Manaus
Foto: Divulgação

Rio Negro chegou a 21,26 metros nesta sexta-feira (18), enquanto redução do nível aumenta preocupações com navegação, abastecimento e logística no Amazonas

O Rio Negro voltou a apresentar uma forte redução no nível em Manaus e perdeu 36 centímetros em apenas dois dias. Nesta sexta-feira (18), a régua do Porto de Manaus marcou 21,26 metros, após uma queda de 18 centímetros nas últimas 24 horas.

 

Na quinta-feira (17), o nível registrado era de 21,44 metros. Com a nova retração, o rio acumula uma redução de 2,83 metros desde o início de setembro, quando estava em 24,09 metros.

 

A cota registrada nesta sexta-feira está entre as menores para um dia 18 de setembro dos últimos anos. O nível atual supera apenas as marcas observadas em 2023, quando o rio estava em 19,36 metros, e em 2024, ano em que foi registrada a maior seca da história recente, com 15,53 metros na mesma data.

 

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Apesar de estar 5,73 metros acima da marca registrada em 18 de setembro de 2024, a velocidade da vazante chama atenção. A redução de 18 centímetros em 24 horas supera o ritmo observado na mesma data em 2021, 2022 e 2025.

 

No comparativo histórico, o Rio Negro apresentava 24,67 metros em 18 de setembro de 2021, com queda diária de 15 centímetros. Em 2022, eram 24,03 metros, com retração de 17 centímetros por dia. Em 2023, o nível estava em 19,36 metros, com redução de 32 centímetros diários. Em 2024, a marca era de 15,53 metros, com queda de 24 centímetros. Já em 2025, o rio registrava 24,67 metros e recuava 14 centímetros por dia.

 

Com a marca de 21,26 metros, o nível atual está 3,41 metros abaixo do registrado no mesmo período de 2025 e 2,77 metros inferior à cota observada em 2022.

 

A vazante também provoca impactos em diferentes regiões do Amazonas e da Bacia Amazônica. Segundo os dados apresentados, 34 municípios amazonenses enfrentam restrições operacionais, distribuídos entre os estágios de atenção, alerta e emergência. Sete deles estão em situação de emergência total.

 

A redução do nível dos rios dificulta a navegação e diminui o calado disponível para embarcações. O cenário pode comprometer o transporte de alimentos, combustíveis, medicamentos e outros produtos, além de dificultar o deslocamento de comunidades ribeirinhas, rurais e indígenas que dependem dos rios.

 

Em Itacoatiara, no Rio Amazonas, o nível baixou 16 centímetros em 24 horas e chegou a 7,60 metros. O município ganhou importância logística para o Polo Industrial de Manaus (PIM), funcionando como ponto de transbordo de cargas diante das limitações de profundidade nas rotas até a capital.

 

Em Tabatinga, no Alto Solimões, o nível ficou estabilizado em 2,34 metros. A interrupção temporária da queda, porém, ainda não representa necessariamente o fim do processo de vazante na região.

 

No Rio Madeira, em Porto Velho, o nível recuou cinco centímetros e chegou a 3,53 metros. A situação também interfere na navegação e pode provocar reflexos no abastecimento das áreas do sul do Amazonas.

 

Além dos impactos nas comunidades, a estiagem afeta diretamente a economia. Com restrições para embarcações de maior porte, as viagens ficam mais demoradas e os custos de transporte aumentam. Empresas precisam adaptar a logística para garantir a chegada de matérias-primas e produtos ao estado.

 

No setor industrial, a redução da navegabilidade também reacende as discussões sobre a chamada “taxa da seca”, cobrança adicional aplicada ao transporte de contêineres durante períodos de estiagem e que pode elevar os custos da cadeia logística.

 

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O menor nível já registrado na história do Rio Negro ocorreu em 9 de outubro de 2024, quando a régua do Porto de Manaus marcou 12,11 metros. A cota atual ainda está 9,15 metros acima daquele recorde negativo, mas a velocidade da descida e as previsões de chuvas abaixo da média mantêm o cenário sob monitoramento. 

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