*Por Antônio Zacarias - No Brasil, a cada seis horas uma mulher é morta apenas por ser mulher.
Três de dez brasileiras já sofreram algum tipo de violência.
A cada 15 segundos, uma mulher é vítima de violência de gênero no Brasil.
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Roberto Cidade, um homem patético
No Amazonas, foram registrados 1.023 casos de violência contra mulheres, em 2025. Um aumento de 69,4% em relação a 2024.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, foram contabilizadas 35.037 ocorrências de violência doméstica contra mulheres ao longo de 2025.
Em 2024, o estado registrou 33 feminicídios, segundo fontes alternativas, ou seja, mais de um assassinato de mulher por dia.
Esses são alguns dados do grave e epidêmico problema que o Brasil vive. São números estarrecedores e que merecem toda atenção da sociedade e do poder público.
Este ano, em 4 de fevereiro, o Estado brasileiro lançou o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, um plano de ação para enfrentar a violência contra a mulher, subscrito pelos três poderes da república.
Após a assinatura e o início das ações do Pacto, a sociedade brasileira tem se manifestado e promovido ações de conscientização e combate à violência de gênero.
Mas hoje, o Amazonas entrou na contramão da luta contra o feminicídio e a violência da qual a mulher é vítima, ao ter como governador, mesmo interino, um contumaz agressor de mulher.
Roberto Cidade, o Cocô de Ouro, ficou conhecido no estado por agredir sua ex-esposa de forma violenta e misógina.
Tão grave quanto a agressão, foi sua postura de não se desculpar pela violência praticada e tentar negar o óbvio. Conduta típica de um machista decadente e sem segurança da sua própria sexualidade.
Roberto Cidade, o Cocô de Ouro, ao agredir uma mulher, incentiva o quadro epidêmico de crimes de feminicídio no país e no Amazonas. Sim, porque tudo começa com um grito, um palavrão, avança para a agressão física e termina com o assassinato cruel da companheira ou ex-companheira.
Se as mulheres amazonenses, que são a maioria do eleitorado do estado, já tinham asco de Roberto Cidade, agora se preocupam de ter no governo um homem misógino, que espelha um caráter violento e repugnante.
“Cocô de Ouro” não pode representar o Amazonas. Ele vai de encontro a tudo que as mulheres conquistaram e lutam até hoje. Esse senhor é um péssimo exemplo de ser humano e uma vergonha nacional.
É inadmissível que, em pleno avanço das políticas públicas de proteção às mulheres, o Amazonas seja colocado sob a liderança de alguém cuja trajetória pessoal contradiz frontalmente esse esforço coletivo. O exemplo que vem de cima importa, e muito. Naturalizar ou relativizar episódios de violência é, na prática, alimentar o ciclo que todos dizem querer combater. O silêncio, a omissão ou a negação também são formas de conivência.
O Amazonas precisa decidir que tipo de referência quer para o seu futuro. Um estado que convive com números tão alarmantes de violência contra a mulher não pode se dar ao luxo de tolerar lideranças que simbolizem exatamente o problema que precisa ser enfrentado. Mais do que uma crise política, trata-se de uma questão moral e civilizatória. E essa conta, mais cedo ou mais tarde, será cobrada pela sociedade.
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* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.