Maior ataque noturno do ano deixa mortos, feridos e milhares sem aquecimento enquanto diálogos diplomáticos seguem sem avanços
A Ucrânia enfrentou, na madrugada deste sábado (24), o maior ataque aéreo noturno de 2026, segundo autoridades locais, poucas horas após a conclusão de uma rodada inédita de negociações trilaterais entre representantes de Kiev, Moscou e Washington. A ofensiva russa ocorreu em meio a esforços diplomáticos para buscar uma saída negociada para a guerra, que já se arrasta há quase quatro anos.
De acordo com a Força Aérea ucraniana, mísseis e drones russos atingiram diversas regiões do país, incluindo a capital Kiev. Sistemas de defesa aérea foram acionados ao longo da noite, e jornalistas internacionais relataram explosões em diferentes pontos da cidade. O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, confirmou ao menos uma morte e quatro feridos, além de incêndios e danos estruturais causados pela queda de destroços.
Os impactos comprometeram a infraestrutura urbana da capital. Cerca de 6 mil blocos residenciais ficaram sem aquecimento, enquanto outras áreas registraram interrupções no abastecimento de água, justamente em um dos dias mais frios do inverno. Na manhã deste sábado, os termômetros marcavam -12°C em Kiev, agravando a situação da população atingida.
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A cidade de Kharkiv, a segunda maior da Ucrânia, também foi alvo dos ataques. Segundo o prefeito Ihor Terekhov, uma maternidade e um dormitório que abriga deslocados internos sofreram danos. Pelo menos 19 pessoas ficaram feridas, incluindo uma criança, aumentando o clima de apreensão no nordeste do país.
No balanço geral da ofensiva, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky informou que a Rússia lançou mais de 370 drones e 21 mísseis em uma única noite, atingindo ainda as regiões de Sumy e Chernihiv. Segundo ele, os ataques tiveram como foco principal o setor energético, considerado estratégico e vital durante o rigoroso inverno europeu.
A escalada militar ocorreu logo após o encerramento do primeiro encontro trilateral conhecido desde o início da guerra. As negociações, realizadas ao longo de dois dias em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, reuniram delegações da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos. Tanto a delegação ucraniana quanto a agência estatal russa RIA Novosti confirmaram o término das conversas neste sábado, sem indicar avanços concretos.
Até o momento, não há confirmação oficial de progressos significativos. Segundo informações divulgadas por agências russas, a questão territorial segue como o principal impasse. O Kremlin reiterou a exigência de que a Ucrânia se retire da região de Donbas, no leste do país — condição rejeitada de forma reiterada por Kiev.
A região de Donbas, formada por Donetsk e Luhansk, possui grande relevância estratégica e econômica. Além de abrigar importantes centros industriais e reservas de carvão, o território concentra um complexo sistema de ferrovias, estradas e cidades fortificadas que sustentam a defesa ucraniana. A perda dessa área deixaria o leste do país amplamente vulnerável a novos avanços russos.
As negociações contaram com delegações de alto nível. A Rússia enviou representantes militares, incluindo um alto oficial da inteligência. A Ucrânia foi representada por diplomatas e autoridades de segurança. Já os Estados Unidos participaram por meio do enviado do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, além de Jared Kushner e do conselheiro da Casa Branca Josh Gruenbaum.
O governo norte-americano tem pressionado Kiev a aceitar um acordo de paz, apesar de críticas e receios de que um eventual entendimento possa favorecer Moscou. Atualmente, a Rússia ocupa cerca de 20% do território ucraniano reconhecido internacionalmente, incluindo quase toda Luhansk e partes de Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia.
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Após o primeiro dia de negociações, o principal negociador ucraniano, Rustem Umerov, afirmou que o encontro teve como objetivo buscar uma “paz digna e duradoura” e agradeceu aos Estados Unidos pela mediação. Zelensky, por sua vez, adotou cautela ao afirmar que ainda é “cedo demais para tirar conclusões” sobre os resultados do diálogo diplomático.