Pesquisadores norte-americanos na Pensilvânia têm estudado os efeitos de uma espécie invasora sobre as culturas locais, que incluem mudanças na produção de mel
Uma mosca detectada pela primeira vez nos Estados Unidos em 2014 (no Condado de Berks, na Pensilvânia) tem afetado a produção agrícola do país, especialmente nos setores de viticultura (cultivo de videiras) e apicultura (a criação de abelhas para a extração de mel). A mosca-lanterna-pintada (Lycorma delicatula) é nativa da Ásia, de países como China, Índia, Vietnã e Japão, e tem se espalhado por estados norte-americanos do leste e centro-leste do país, provavelmente por meio de mercadorias importadas.
Considerada uma ameaça para as espécies locais por ser um inseto invasor, a espécie já foi alocada em programas de quarentena e manejo. Ela se alimenta principalmente de seiva de plantas, com um aparelho bucal adaptado para a perfuração de caules e a extração da substância. Seus alvos são mais de 70 espécies de vegetação, com foco especial em plantas frutíferas: videiras, macieiras, pessegueiras, nogueiras e até o lúpulo.
O comportamento da mosca-lanterna-pintada causa estresse às plantas que servem de alimento, e a grande quantidade de líquido açucarado despejado sobre elas durante a alimentação atrai outros insetos oportunistas, o que favorece o desenvolvimento de pragas como o mofo negro, alojado em folhas, frutos e caules, e prejudicial à atividade normal de fotossíntese.
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Pesquisadores norte-americanos na Pensilvânia têm estudado os efeitos da mosca sobre a produtividade das culturas, que tem sido negativamente afetada pela presença do inseto. “As autoridades estão preocupadas com a ameaça que a mosca-lanterna-pintada representa para a agricultura da Pensilvânia, incluindo as indústrias de uva, frutas de caroço, madeira de lei e viveiros, que, juntas, contribuem com quase US$ 18 bilhões para a economia do estado”, afirma a Universidade da Pensilvânia.

Foto: Reprodução
Outro setor particularmente prejudicado é a apicultura, já que a excreção do líquido doce pelas plantas de que as moscas se alimentam acaba servindo de fonte para as abelhas que polinizam essas espécies, transformando-se em um outro tipo de mel metabolizado por elas. Ao contrário do mel comum, o mel gerado pela interação das plantas com os insetos é marrom ou vermelho-escuro, tem um odor descrito como “defumado” e um sabor menos doce do que o tradicional, com “retrogosto persistente”.
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Ele é seguro para o consumo humano, e alguns degustadores até apreciam as nuances únicas do novo produto, mas a mudança tem impactado a comercialização do mel pelos produtores locais. O líquido expelido pelas plantas também pode alterar a composição da comunidade de insetos que se alimentam delas, como formigas e outros consumidores de açúcar, o que afeta a ecologia regional e pode causar disfunções no ambiente natural.
Fonte: Revista Forum