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Segurança alimentar na Amazônia depende de adaptação climática, diz estudo
Foto: Reprodução

Um novo estudo aponta que enfrentar essa realidade exige não apenas mitigação, mas também adaptação

As mudanças climáticas provocam transformações profundas na Amazônia, afetando a biodiversidade, alterando o regime de chuvas e impactando diretamente a vida das populações que dependem da floresta para sobreviver.

 

Um novo estudo aponta que enfrentar essa realidade exige não apenas mitigação, mas também adaptação – com medidas que vão da restauração florestal em larga escala à proteção dos rios, fundamentais tanto para a produção agrícola quanto para o transporte na região.

 

Essas recomendações estão reunidas no policy brief “Estratégias de Adaptação Climática Visando o Bem-Estar das Populações Amazônidas”, lançado em agosto de 2025. O documento foi elaborado por pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV) em parceria com instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Policy briefs são documentos enxutos, pautados por questões enfrentadas no cotidiano de tomadores de decisão e com informações baseadas em pesquisas científicas atuais e sugestões de opções e ações que podem contribuir e enriquecer o debate sobre políticas públicas.

 

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O material sistematiza um conjunto de ações prioritárias para políticas públicas voltadas à segurança alimentar e hídrica de povos indígenas, comunidades ribeirinhas, quilombolas e moradores de áreas rurais e urbanas da Amazônia. Entre as propostas, estão a valorização dos conhecimentos tradicionais, a criação de bancos de sementes, redes de coletores e a identificação de espécies alimentares mais resilientes às mudanças climáticas.

 

Coordenadora da publicação, a pesquisadora Tereza Cristina Giannini, do ITV, destaca que a iniciativa reúne especialistas de diferentes áreas da bioeconomia e da sustentabilidade de cadeias alimentares na Amazônia. O ponto de partida do trabalho foi a constatação, em estudos anteriores, de cenários preocupantes para cerca de 200 espécies de plantas consumidas por povos nativos, incluindo alimentos estratégicos como a castanha-do-pará.

 

“Por enquanto, esse conhecimento foi incorporado de forma indireta, uma vez que consultamos publicações prévias que compilaram o conhecimento tradicional sobre as plantas utilizadas como alimento pelos amazônidas. Foi a partir dessa lista com 228 espécies que geramos os modelos computacionais para avaliar quais plantas potencialmente seriam mais resistentes às mudanças climáticas”, explica Tereza.

 

O policy brief também responde à recomendação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) de priorizar estratégias de adaptação, já que parte dos impactos ambientais é irreversível. Isso significa ir além de ações de mitigação, que buscam apenas reduzir os efeitos das mudanças climáticas.

 

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“Seria bom se as políticas públicas pudessem fomentar negócios sustentáveis, contribuindo com geração de renda, inovação tecnológica e capacitação para as comunidades locais. Ações de educação robustas incluindo capacitação técnica/tecnológica também são importantes”, avalia a pesquisadora. “Valorizar a floresta implica em valorizar os povos que vivem dentro ou próximo das florestas, construindo uma parceria onde as pessoas se sentem como parte desses biomas e são capazes de viver em harmonia com eles, possibilitando um manejo ambiental sustentável que traga ciclos de prosperidade para a região”, afirma Tereza. 

 

Fonte: Revista Cenarium

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