Dois funcionários da Prefeitura de Tacuru reconheceram ter gravado áudios com ameaças contra indígenas Guarani-Kaiowá; ambos alegaram embriaguez durante as gravações e foram afastados dos cargos.
Dois servidores da Prefeitura de Tacuru, em Mato Grosso do Sul, admitiram à Polícia Federal (PF) ter gravado áudios com ameaças de envenenar a água consumida por indígenas da comunidade Guarani-Kaiowá. Os depoimentos foram prestados durante a investigação sobre mensagens que circularam nas redes sociais após o segundo turno das eleições presidenciais.
Durante os interrogatórios, os funcionários alegaram que estavam embriagados quando fizeram as gravações. Eles também afirmaram que não tinham condições de executar as ameaças mencionadas nas conversas.
Um dos áudios contém declarações sobre colocar veneno na água para matar indígenas, em referência à escolha eleitoral da comunidade. As mensagens foram compartilhadas em grupos de WhatsApp e provocaram preocupação entre moradores da região.
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Segundo as informações da investigação, o primeiro servidor foi afastado na quarta-feira (28), enquanto o segundo deixou as funções na sexta-feira (30). Os dois respondem a processos administrativos disciplinares na prefeitura e continuam sendo investigados pela Polícia Federal.
O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti, confirmou o afastamento dos funcionários e informou que nenhum deles trabalha diretamente no sistema de abastecimento de água da aldeia. A administração municipal também adotou medidas administrativas para apurar a conduta dos servidores.
O caso envolve indígenas Guarani-Kaiowá, que denunciaram ameaças e intimidações após o resultado das eleições. A preocupação aumentou porque algumas comunidades dependem de caminhões-pipa para receber água, o que levou moradores a manifestarem receio de consumir o abastecimento.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Ministério dos Povos Indígenas e o Ministério Público Federal (MPF) também acompanham as denúncias. O governo federal enviou uma comitiva ao Mato Grosso do Sul para ouvir as comunidades, verificar os episódios relatados e apoiar as investigações.
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Além das ameaças de envenenamento, organizações indígenas denunciaram outros episódios de violência e intimidação no estado após a votação. A Polícia Federal segue apurando as responsabilidades, enquanto os procedimentos administrativos da prefeitura devem avaliar a conduta dos funcionários envolvidos.