Por gerar feridas indolores e que somem posteriormente, a sífilis é ignorada e a bactéria pode ficar no corpo se não houver diagnóstico
O avanço da sífilis no Brasil tem preocupado especialistas e autoridades de saúde, que já tratam o cenário como um alerta de epidemia em curso. Mesmo sendo uma doença conhecida, com diagnóstico simples e tratamento eficaz, os números continuam elevados e mostram que o país enfrenta dificuldades para controlar a transmissão.
Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que, apenas em 2024, foram registrados cerca de 256 mil casos de sífilis adquirida, além de 89 mil casos em gestantes e aproximadamente 24 mil ocorrências de sífilis congênita — quando a doença é transmitida da mãe para o bebê. Esses números reforçam a dimensão do problema e evidenciam que a infecção segue amplamente disseminada.
Um dos pontos mais preocupantes é justamente o aumento da transmissão vertical. A taxa de detecção em gestantes chegou a 35,4 casos por mil nascidos vivos, mostrando que muitas mulheres ainda não recebem diagnóstico ou tratamento adequado durante o pré-natal. Esse cenário eleva o risco de complicações graves para os recém-nascidos, incluindo sequelas permanentes e até óbitos.
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Especialistas apontam que a sífilis é considerada uma “epidemia silenciosa” porque, em muitos casos, não apresenta sintomas evidentes nas fases iniciais. Isso faz com que muitas pessoas transmitam a doença sem saber que estão infectadas, dificultando o controle da disseminação.
Outro fator que contribui para o aumento dos casos é a redução no uso de preservativos e a falsa sensação de segurança em relação às infecções sexualmente transmissíveis. Além disso, falhas no diagnóstico precoce, tratamento incompleto e falta de acompanhamento dos parceiros também ajudam a manter a cadeia de transmissão ativa.
O crescimento da doença não é recente. Ao longo da última década, o Brasil registrou aumento contínuo nos casos, ultrapassando 1,5 milhão de diagnósticos entre 2010 e 2024. Embora tenha havido uma leve redução durante a pandemia, os números voltaram a subir nos anos seguintes, mantendo a preocupação das autoridades.
Além disso, a sífilis tem apresentado mudanças no perfil epidemiológico, atingindo cada vez mais adultos mais velhos, grupo que anteriormente registrava menor incidência. Isso mostra que a doença não está restrita a uma faixa etária específica e pode afetar diferentes perfis da população.
Apesar do cenário preocupante, especialistas reforçam que a sífilis tem cura, geralmente com o uso de penicilina, um tratamento acessível e disponível no sistema público de saúde. O grande desafio, portanto, não está na falta de tratamento, mas sim na identificação precoce dos casos e na ampliação das estratégias de prevenção.
Diante disso, autoridades destacam a importância de ampliar campanhas educativas, incentivar o uso de preservativos, facilitar o acesso a testes rápidos e garantir o acompanhamento adequado durante o pré-natal. O controle da doença depende, sobretudo, de informação, prevenção e diagnóstico rápido.
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O avanço da sífilis no Brasil evidencia uma falha coletiva na prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes. Sem ações contínuas e integradas, o país pode continuar enfrentando números elevados de uma doença que, apesar de antiga, ainda representa um grande desafio para a saúde pública.