Mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o empresário Flávio Carneiro revelam como era a relação do ex-banqueiro com o Estadão
Mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e o empresário Flávio Carneiro revelam conversas sobre a relação do grupo com o jornal O Estado de S. Paulo. Em um dos diálogos, Carneiro tentou tranquilizar Vorcaro ao afirmar que eles tinham espaço e crédito no veículo: “No Estadão estamos em casa, temos crédito lá”.
A conversa ocorreu em maio de 2024, quando Vorcaro demonstrou preocupação com a necessidade de ampliar os investimentos em publicidade em veículos de comunicação. Em uma mensagem enviada a Carneiro no dia 15 daquele mês, o banqueiro escreveu que era preciso aumentar o patrocínio na Folha de S.Paulo e no Estadão, após uma repórter procurar um executivo do Banco Master.
Em outro trecho, datado de 21 de maio, Vorcaro questionou por que havia ficado de fora de uma operação financeira envolvendo o Estadão. O empresário explicou que a iniciativa estava sendo conduzida por Rubens Ometto, fundador e presidente do conselho de administração do Grupo Cosan, e que o projeto já vinha sendo estruturado havia meses.
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Vorcaro lamentou não ter participado da operação e afirmou que via nela uma oportunidade de ampliar sua influência. Carneiro, por sua vez, respondeu que o banqueiro poderia entrar no negócio posteriormente e mencionou outros empresários envolvidos na articulação. As mensagens indicam que os dois discutiam tanto as relações comerciais quanto o acesso a pessoas com influência no setor de comunicação.

A operação citada envolveu a emissão de debêntures pelo grupo responsável pelo Estadão, em meio a dificuldades financeiras. Entre março e maio de 2024, a empresa captou recursos para reorganizar suas dívidas, que somavam cerca de R$ 159 milhões. A entrada de investidores ajudou a dar fôlego financeiro ao jornal e levou representantes de credores ao conselho de administração.


Fotos: Reprodução
Entre as empresas que participaram da operação estavam Cosan, Votorantim, Hapvida, Ultrapar, Unipar, Pátria Investimentos, JHSF, Galápagos Capital e uma empresa ligada ao grupo Cutrale. Os valores investidos variaram, e parte dos aportes garantiu aos credores participação na estrutura de governança do grupo de comunicação.
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As conversas vieram à tona em meio à divulgação de mensagens extraídas do celular de Vorcaro no contexto de investigações sobre suas relações comerciais e com veículos de imprensa. O Estadão foi procurado para comentar o conteúdo dos diálogos, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem. A existência das mensagens, por si só, não comprova interferência editorial no jornal.