Empresa GoUp Entertainment informa que entrega de dados sobre o filme de Bolsonaro depende de ordem judicial americana
O americano Michael Brian Davis, sócio da produtora GoUp Entertainment, afirmou que documentos solicitados pela Polícia Federal (PF) sobre os gastos do filme Dark Horse, nos Estados Unidos, só serão entregues caso exista uma determinação da Justiça americana.
A manifestação foi feita em um e-mail enviado à sócia brasileira Karina Gama, em 2 de setembro, e acabou anexada ao inquérito que investiga se a produção, que contará a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), teria recebido recursos do Banco Master.
Na sexta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça retirou o sigilo das investigações.
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Entre os documentos apresentados pela GoUp estão centenas de notas fiscais referentes à hospedagem de atores e integrantes da equipe de filmagem, comprovantes de transferências bancárias e contratos de atores brasileiros. Os contratos envolvendo os atores americanos, porém, não foram apresentados.
No e-mail, Davis afirmou que eventuais pedidos feitos por autoridades brasileiras envolvendo documentos que estejam sob jurisdição dos Estados Unidos devem seguir os canais oficiais de cooperação jurídica internacional.
“Eventuais requisições de autoridades brasileiras que envolvam documentos ou dados sob jurisdição americana devem ser formalizadas exclusivamente pelos canais diplomáticos e de cooperação jurídica internacional competentes”, escreveu o empresário.
Segundo ele, a entrega ou apresentação desses documentos somente ocorreria após uma ordem emitida por um juiz americano.
Em junho, a GoUp já havia apresentado uma perícia particular sobre os gastos da produção. O documento, porém, descreveu os valores de maneira geral e apontou que cerca de US$ 13,4 milhões teriam sido gastos nos Estados Unidos, sem detalhar exatamente como o dinheiro foi utilizado.
Uma das linhas de investigação da PF é a suspeita de que parte desses recursos possa ter sido utilizada para financiar o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) no Brasil.
O fundo citado nas investigações tem como agente legal o escritório Law Offices of Paulo Calixto PLLC, pertencente ao advogado Paulo Calixto, que representa Eduardo Bolsonaro.
O ex-deputado vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de ter articulado medidas contra autoridades brasileiras.
Além da apuração sobre um possível uso de dinheiro do Banco Master para financiar Dark Horse, existem outros dois procedimentos que investigam uma possível utilização de recursos públicos relacionados à produção.
Um deles envolve um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para instalação de pontos de Wi-Fi na periferia da capital. Karina Gama, sócia da GoUp, aparece como representante da entidade.
A investigação, que inicialmente era conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, passou a tramitar no STF sob relatoria do ministro Flávio Dino.
O outro inquérito investiga emendas parlamentares destinadas por deputados federais ao ICB. A suspeita é de que os valores possam ter chegado à GoUp por meio de uma suposta triangulação envolvendo empresas intermediárias.
Na última quinta-feira, 49 mandados de busca e apreensão foram cumpridos no âmbito dessa investigação.
As despesas relacionadas ao filme também chamaram atenção dos investigadores. Notas fiscais e comprovantes de transferências apontam gastos superiores a R$ 800 mil com segurança e itens relacionados à caracterização do ator Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro na produção, durante as gravações em São Paulo.
Somente a peruca utilizada pelo ator teria custado cerca de R$ 10 mil. Também foram registrados gastos de aproximadamente R$ 3 mil com apliques de cabelo utilizados pela atriz que interpreta Michelle Bolsonaro.
Caviezel, seus assessores e um segurança ficaram hospedados no luxuoso Hotel Unique, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, na Zona Sul de São Paulo.
De acordo com as notas fiscais analisadas, as diárias do grupo somaram aproximadamente R$ 732 mil.
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O caso segue sendo investigado pelas autoridades, que buscam esclarecer a origem dos recursos utilizados na produção de Dark Horse e verificar se houve participação de dinheiro público ou recursos relacionados ao Banco Master no financiamento do filme.