Ferramenta desenvolvida no Paraná mostra como espécies hoje adaptadas para determinadas regiões podem não conseguir sobreviver ali no futuro
A araucária é muito mais que uma árvore símbolo do Paraná. Ela representa a identidade cultural, tem importância ecológica, econômica e ainda desperta carinho e admiração popular. Por isso, a árvore foi a escolha natural quando buscamos uma espécie piloto para testar e aprimorar o software que desenvolvemos para avaliar como as transformações climáticas podem interferir na ocorrência de organismos na natureza, sejam eles terrestres ou aquáticos.
O software em questão é o caretSDM, desenvolvido no Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação em Emergência Climática (NAPI-EC), uma rede colaborativa de pesquisa que une universidades, centros de pesquisa e empresas para gerar soluções tecnológicas e científicas para os desafios climáticos. O software utiliza modelos preditivos para avaliar como as transformações climáticas afetam a distribuição geográfica das espécies.
O caretSDM foi desenvolvido em linguagem R – uma linguagem de programação de código aberto, focada em computação estatística, análise de dados e gráficos. A lógica do software é baseada na resposta das espécies aos gradientes ambientais – fatores como temperatura, umidade e precipitação, que se alteram à medida que o clima muda.
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Isso significa que uma espécie que hoje encontra condições ideais em determinada região pode não conseguir sobreviver ali no futuro. Ao integrar modelos computacionais com projeções climáticas, o software permite simular diferentes cenários para as próximas décadas.Essa capacidade de antecipar impactos ambientais representa uma ferramenta poderosa para a ciência e para a sociedade. A modelagem nos permite, por exemplo, visualizar onde as espécies terão melhores chances de sobrevivência e quais áreas precisarão de mais atenção para manter seus serviços ecossistêmicos. É uma ponte entre o conhecimento científico e as ações práticas de conservação.
O programa permite mapear as chances de determinadas espécies ampliarem ou reduzirem sua área de ocorrência conforme o clima muda. Isso é essencial para a conservação da biodiversidade e o planejamento de políticas públicas. Em outras palavras, conseguimos antever onde estarão os refúgios climáticos e quais áreas precisarão de mais atenção para garantir a sobrevivência de espécies importantes para os ecossistemas e para as atividades humanas.
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Nossa pesquisa se desenvolve em etapas. Tudo começa com o pré-processamento, quando reunimos os dados ambientais e das espécies. Em seguida, partimos para o processamento, que envolve a calibração dos modelos – que é o ajuste dos parâmetros do modelo para que suas previsões se alinhem o mais próximo possível à realidade – e, depois, sua avaliação – que é a comparação dos resultados com dados do mundo real para verificar se ele representa com precisão a realidade. É isso que garante os resultados confiáveis da pesquisa.