NOTÍCIAS
Política
STF e TSE terão comandos com perfis opostos na condução das eleições deste ano
Foto: Reprodução

Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Kássio Nunes Marques e André Mendonça

As duas principais Cortes responsáveis por analisar temas ligados às eleições no Brasil terão comandos com perfis distintos neste ano. No Supremo Tribunal Federal (STF), a presidência ficará com o ministro Edson Fachin, tendo Alexandre de Moraes como vice-presidente. A dupla esteve à frente da reação institucional aos ataques golpistas de 2022 e atuou de forma central na condução e defesa do processo eleitoral naquele ano. Já no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a condução das eleições ficará sob responsabilidade do ministro Nunes Marques, com André Mendonça como vice, ambos indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

 

Fachin e Moraes trabalharam juntos durante as eleições de 2022, quando Fachin presidiu o TSE por alguns meses e preparou o pleito, enfrentando pressões pela adoção do voto impresso e ataques ao sistema eletrônico de votação. Ao assumir o comando do tribunal em agosto daquele ano, Moraes liderou a resposta institucional às investidas contra as urnas e às tentativas de desestabilização do processo democrático, além de conduzir as ações após os atos de 8 de Janeiro.

 

No TSE, o cenário é considerado mais incerto por integrantes da Corte. Nunes Marques e André Mendonça nunca exerceram cargos de comando na Justiça Eleitoral e assumirão a presidência e a vice-presidência em uma eleição que promete disputas acirradas, questionamentos e forte judicialização. Ambos têm histórico de atuação mais discreta e menos intervencionista. Em 2023, por exemplo, Nunes Marques foi voto vencido nos julgamentos que tornaram Bolsonaro inelegível e defendeu que o TSE não deve atuar como um “terceiro turno” das eleições.

 

Veja também

 

Moraes autoriza progressão de regime e hacker Walter Delgatti vai para o semiaberto

 

Governo inicia ano na Câmara pressionado pelo vencimento de cinco medidas provisórias

André Mendonça também tem sinalizado publicamente que pretende adotar uma postura de maior discrição. Em declarações recentes, afirmou que a futura cúpula do TSE deve atuar sem protagonismo excessivo, com decisões fundamentadas, imparciais e ouvindo todas as partes envolvidas, o que foi interpretado nos bastidores como um afastamento do modelo adotado pelo tribunal em 2022.

 

Para advogados e magistrados que acompanham a Justiça Eleitoral, a diferença de perfil entre as Cortes pode gerar tensões institucionais ao longo do processo eleitoral. Especialistas avaliam que, apesar de o comando do TSE estar nas mãos de ministros indicados por Bolsonaro, a maioria da Corte será formada por ministros e juristas indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, incluindo nomes próximos a Alexandre de Moraes e ao ministro Flávio Dino. Mesmo com um ambiente institucional considerado republicano, a expectativa é de debates intensos e divergências em temas sensíveis das eleições de 2026.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no FacebookTwitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatAppCanal e Telegram 

 

O TSE é responsável por editar as regras que regem o pleito, julgar ações contra candidatos e partidos, analisar pedidos de direito de resposta, propaganda eleitoral e processos de cassação. Entre os casos sensíveis que devem passar pela Corte estão ações relacionadas à disseminação de desinformação em eleições anteriores e pedidos que envolvem autoridades eleitas, o que reforça a importância do perfil adotado pelo tribunal durante o período eleitoral. 

LEIA MAIS
DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Mensagem:

Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.