Tribunal vive momento de tensão após afastamento de ministro, mas mantém função central na interpretação da legislação federal.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) é a instância responsável por uniformizar a interpretação das leis federais no Brasil. A corte atravessa um momento de crise institucional após o afastamento provisório do ministro Marco Buzzi, acusado de assédio. A decisão foi tomada na útima terça-feira (10).
Composto por 33 ministros, o STJ tem como principal atribuição resolver controvérsias civis e criminais que não envolvem matérias trabalhistas, eleitorais ou militares. Os integrantes da corte são indicados pelo presidente da República a partir de lista tríplice elaborada pelo próprio tribunal e precisam ter a nomeação aprovada pela maioria do Senado Federal procedimento semelhante ao adotado no Supremo Tribunal Federal (STF).
A Constituição determina que os ministros tenham entre 35 e 70 anos, notável saber jurídico e reputação ilibada. A composição das vagas segue um critério específico: um terço é destinado a juízes dos Tribunais Regionais Federais (TRFs), outro a desembargadores dos Tribunais de Justiça estaduais, e o terço restante a advogados e membros do Ministério Público.
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Além das atividades no STJ, ministros também podem exercer funções no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), como a de corregedor nacional de Justiça. A corte ainda ocupa duas cadeiras titulares no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
ESTRUTURA INTERNA
O funcionamento do STJ é dividido entre plenário, Corte Especial, seções e turmas.
O plenário reúne todos os 33 ministros e tem atribuições predominantemente administrativas, como a eleição da presidência do tribunal e a elaboração de listas tríplices para preenchimento de vagas.
Já a Corte Especial, formada pelos 15 ministros mais antigos, é responsável por julgar ações penais contra autoridades com foro no tribunal e por resolver divergências de interpretação entre órgãos internos.
As seções e turmas são organizadas por áreas específicas do Direito público, privado e penal e analisam os processos de acordo com a especialização temática.
PRINCIPAIS ATRIBUIÇÕES
O recurso especial é o principal instrumento processual analisado pelo STJ. Por meio dele, a corte define qual interpretação de uma lei federal deve prevalecer quando tribunais estaduais ou regionais adotam entendimentos divergentes. Essa função garante a uniformidade da aplicação da legislação em todo o país.
O STJ também julga ações penais contra governadores, desembargadores, conselheiros de Tribunais de Contas estaduais e municipais, juízes de tribunais regionais (federais, eleitorais e do trabalho) e membros do Ministério Público da União que atuem perante tribunais.
Cabe ainda ao tribunal analisar recursos em habeas corpus e mandados de segurança negados por tribunais regionais ou estaduais.
Em situações de grave violação de direitos humanos, o STJ pode determinar a federalização de processos, transferindo casos da Justiça estadual para a Justiça Federal.
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Mesmo em meio à atual turbulência institucional, o tribunal mantém papel estratégico no sistema jurídico brasileiro ao garantir a interpretação uniforme das leis federais.