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Surto de ebola avança mais rápido que esforços de controle no Congo, alerta OMS
Foto: Shutterstock

São 4.449 casos confirmados, com 2.061 óbitos

Especialistas alertam que o surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) está avançando mais rapidamente do que os esforços para rastrear e controlar a doença. A epidemia ocorre principalmente em uma região remota do leste do país, marcada por conflitos armados e próxima às fronteiras com Sudão do Sul, Uganda e Ruanda.

 

A circulação de informações falsas sobre o vírus e a desconfiança em relação às equipes de saúde também dificultam o combate à doença. Em algumas comunidades, moradores evitam procurar atendimento médico, o que pode favorecer a transmissão.

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o atual surto começou na província de Ituri, no nordeste do país, e já apresenta um ritmo de propagação superior ao registrado em epidemias anteriores. A organização informou 4.449 casos confirmados e 2.061 mortes.

 

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"O surto ganhou uma grande vantagem inicial e continua muito à nossa frente; estamos correndo atrás do prejuízo", afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

 

A organização estima que seja possível mudar a tendência de crescimento da epidemia em até três meses, desde que todas as medidas de resposta sejam aplicadas simultaneamente nas cinco zonas de transmissão identificadas.

 

Abdirahman Mahamud, diretor do programa de alerta e resposta de emergência da OMS, ressaltou, porém, que isso não significa que a epidemia terminará nesse período. Mesmo após o controle da transmissão, será necessário manter ações de vigilância, preparação e resposta para evitar o reaparecimento do vírus.

 

A OMS também destaca que a duração do surto dependerá da evolução da transmissão e da efetividade das medidas adotadas pelas autoridades e equipes de saúde.

 

A epidemia ocorre em áreas densamente povoadas do nordeste e leste da RDC, onde a presença do Estado é limitada e a infraestrutura de saúde enfrenta falta de recursos. A atuação de grupos armados aumenta a insegurança e dificulta o deslocamento de profissionais e o atendimento às comunidades.

 

A RDC declarou, em 15 de maio, sua 17ª epidemia de ebola. Segundo a OMS, o surto pode ter começado dois ou três meses antes da declaração oficial da emergência de saúde pública de importância internacional.

 

O ebola é transmitido principalmente pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas e pode provocar febre hemorrágica grave. Nas últimas cinco décadas, a doença matou mais de 15 mil pessoas na África.

 

A atual epidemia já é considerada uma das mais graves da história da RDC e pode se tornar a maior já registrada no mundo, segundo Sania Nishtar, diretora da Aliança das Vacinas (Gavi).

 

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O cenário se aproxima do surto ocorrido entre 2018 e 2020, considerado o mais letal registrado no país até então. Naquele período, foram contabilizados cerca de 3.500 casos e quase 2.300 mortes. 

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