Levantamento mostra que a incorporação de um medicamento ao SUS não garante acesso imediato e revela entraves até a oferta aos pacientes
O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a disponibilizar, em 2026, 23 medicamentos de alta tecnologia para o tratamento de diferentes tipos de câncer. Alguns dos remédios aguardavam há até 12 anos para chegar efetivamente aos pacientes da rede pública.
Segundo o Ministério da Saúde, a medida representa um aumento de 35% na oferta de medicamentos oncológicos e deve beneficiar cerca de 112 mil pessoas. Entre os tratamentos estão opções para câncer de mama, próstata, pulmão, ovário, melanoma e leucemias.
A demora para que um medicamento incorporado ao SUS chegue aos pacientes ocorre porque a aprovação é apenas uma das etapas do processo. Depois da decisão da Conitec, ainda são necessários protocolos de utilização, definição de responsabilidades, financiamento, negociação de preços, compra e distribuição dos produtos.
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Um levantamento da Interfarma analisou 112 princípios ativos utilizados no tratamento do câncer e identificou que parte dos medicamentos considerados essenciais ainda não estava disponível aos pacientes brasileiros. O estudo também apontou diferenças entre a lista nacional de medicamentos e a relação considerada essencial pela Organização Mundial da Saúde.
O Ministério da Saúde afirma que os novos tratamentos serão custeados integralmente pelo governo federal. A pasta também criou um comitê para negociar preços e condições de aquisição, principalmente no caso de medicamentos patenteados ou fornecidos por empresas exclusivas.
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Especialistas, porém, alertam que ampliar o acesso depende não apenas da incorporação dos medicamentos, mas também da capacidade do sistema público de executar todas as etapas necessárias. Na oncologia, a rapidez é especialmente importante, já que o início do tratamento pode influenciar a resposta do paciente e a evolução da doença.