Especialistas apontam mistura de temas e falta de embasamento no texto do USTR. Acesso ao etanol seria alternativa a oferecer
O governo brasileiro avalia uma resposta diplomática ao novo tarifaço proposto pela administração de Donald Trump, mas especialistas apontam que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos tornam as negociações mais complexas e imprevisíveis.
A proposta prevê uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros e foi baseada em uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). Entre as alegações estão questões relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e políticas ambientais.
Analistas avaliam que parte dos argumentos apresentados mistura temas comerciais, regulatórios e políticos, dificultando a construção de uma solução negociada. Integrantes do governo brasileiro também consideram que algumas justificativas ignoram explicações apresentadas por Brasília durante as rodadas de conversas realizadas nos últimos meses.
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Apesar da tensão, o Brasil tem evitado anunciar medidas de retaliação imediata e aposta na manutenção do diálogo diplomático. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou recentemente que negociadores dos dois países já se reuniram diversas vezes, mas sem alcançar um entendimento.
A proposta americana ainda passará por consulta pública antes de uma decisão final. Caso seja implementada, a tarifa entrará em vigor em julho. Alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil, como café, carne bovina, peças aeronáuticas, petróleo e minerais estratégicos, ficaram fora da lista inicial de taxação.
Especialistas em comércio exterior avaliam que a indefinição sobre os reais objetivos da medida aumenta a insegurança para empresas e investidores. A percepção é que a mistura de argumentos econômicos e políticos reduz a previsibilidade das negociações e dificulta uma solução rápida para o impasse.
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Enquanto acompanha os desdobramentos, o governo brasileiro também reforça a busca por novos mercados e parcerias comerciais para reduzir eventuais impactos sobre as exportações nacionais.