Solenidade em Manaus marcou a inclusão dos dois monumentos amazônicos na lista da Unesco, tornando-os os primeiros bens da Região Norte a receber o título.
O Teatro Amazonas foi palco, na noite desta terça-feira (3), de uma cerimônia para celebrar o reconhecimento do Teatro Amazonas, em Manaus, e do Teatro da Paz, em Belém, como Patrimônios Mundiais pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Com a conquista, os dois monumentos tornam-se os primeiros da Região Norte a integrar a lista internacional.
Durante a solenidade, a representante da Unesco no Brasil, Marlova Noleto, destacou que o título representa uma responsabilidade coletiva pela preservação dos espaços históricos e culturais.
“O caso dos Teatros da Amazônia representa um valor excepcional não só para o Brasil, mas para todo o mundo. É o 26º bem brasileiro que a Unesco inscreve na lista do Patrimônio Mundial e o primeiro da Região Norte. Esta é uma noite de celebração para Belém e Manaus”, afirmou.
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A chefe da Divisão de Assuntos Multilaterais Culturais do Instituto Guimarães Rosa, Tatiana Carvalho, representante do Ministério das Relações Exteriores, também ressaltou o trabalho conjunto que possibilitou a conquista. Segundo ela, o reconhecimento contou com a participação da população e de instituições envolvidas na valorização dos monumentos.
O governador do Amazonas, Roberto Cidade, afirmou que a titulação representa um motivo de orgulho para os moradores do estado e reforçou a importância de ampliar o apoio às iniciativas culturais.
Já o prefeito de Manaus, Renato Júnior, destacou a relação entre a identidade amazônica e a preservação do patrimônio histórico.
“Hoje é um dia de festa para todos nós. Este teatro tem quase 130 anos de história e, agora, ao lado do Teatro da Paz, recebe o reconhecimento mundial. O verdadeiro dono deste patrimônio é o povo”, declarou.
A diretora do Teatro Amazonas, Elizabeth Catanhede, também celebrou a conquista e classificou o reconhecimento como um momento histórico para os estados do Amazonas e do Pará. Para ela, o título reforça a importância do espaço como patrimônio vivo da população.

Foto: Divulgação
SÍMBOLOS DO CICLO DA BORRACHA
O Teatro da Paz, em Belém, foi inaugurado em 1878, enquanto o Teatro Amazonas, em Manaus, abriu as portas em 1896. Os dois monumentos foram construídos no final do século XIX, durante o período de expansão econômica conhecido como Ciclo da Borracha.
Na época, a riqueza gerada pela exploração do látex impulsionou grandes investimentos na arquitetura e na cultura da Região Norte. Os teatros foram projetados para receber companhias de ópera e espetáculos internacionais, com materiais e elementos decorativos importados da Europa.
Ao longo de mais de um século, os edifícios se mantiveram como importantes espaços de apresentações artísticas e preservação da memória cultural amazônica. Suas características arquitetônicas ecléticas e neoclássicas também representam parte da história econômica e social da região.
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Com o reconhecimento da Unesco, os dois teatros passam a integrar um conjunto de bens considerados de valor universal excepcional, ampliando a visibilidade internacional do patrimônio histórico e cultural da Amazônia.