Inovação desenvolvida em laboratório promete reduzir drasticamente o uso de água e conter chamas com mais eficiência
O avanço das mudanças climáticas, com ondas de calor e longos períodos de seca, tem intensificado a ocorrência de incêndios florestais em diversas regiões. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais indicam que, entre 2024 e 2025, as áreas queimadas na América do Sul cresceram de forma alarmante, ampliando a necessidade por soluções mais eficazes no combate ao fogo.
Nesse cenário, uma tecnologia desenvolvida no Brasil surge como alternativa promissora. O químico industrial José Yago Rodrigues transformou pesquisas acadêmicas em uma inovação prática: um biogel capaz de potencializar o combate a incêndios, tornando o processo mais eficiente e sustentável.
A ideia nasceu a partir de uma experiência anterior, em 2019, durante o desastre ambiental causado pelo derramamento de óleo no litoral nordestino. Na ocasião, Rodrigues participou do desenvolvimento de uma manta feita com alginato de sódio substância derivada de algas marinhas capaz de absorver óleo da água. A partir desse conhecimento, ele percebeu que o material poderia ser adaptado para outras finalidades ambientais.
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Assim surgiu o biogel, um produto que, ao ser misturado à água, forma uma camada protetora sobre a vegetação. Essa barreira ajuda a impedir a propagação das chamas e aumenta a eficiência no combate ao fogo. Segundo o criador, o material é biodegradável, atóxico e seguro para o meio ambiente.
Além da eficácia, o produto se destaca pela economia de recursos. Em incêndios de grande porte, como em áreas agrícolas equivalentes a um campo de futebol, o uso do gel pode reduzir o consumo de água em até 85% de cerca de 50 mil litros para aproximadamente 7 mil litros.
Outro diferencial é a versatilidade na aplicação. O biogel pode ser utilizado com equipamentos já comuns no combate a incêndios, como bombas costais, caminhões-pipa e até drones, o que amplia sua utilização em áreas de difícil acesso.
A tecnologia foi patenteada em 2021, quando Rodrigues decidiu fundar uma startup para levar o produto ao mercado. Desde então, o projeto recebeu investimentos por meio de programas de incentivo à inovação e começou a ser testado por produtores rurais, que já relatam resultados positivos na redução de riscos em plantações.
Atualmente, a empresa tem capacidade de produzir até 20 mil litros do gel por mês. A expectativa é de crescimento acelerado, com projeção de faturamento que pode chegar a R$ 2 milhões em 2026, impulsionado pela demanda crescente por soluções ambientais.
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Com potencial para expansão internacional, a inovação brasileira representa não apenas um avanço tecnológico, mas também uma resposta concreta aos desafios impostos pelas mudanças climáticas mostrando como a ciência pode sair do laboratório e gerar impacto direto na sociedade.