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Tentei tirar a própria vida após torturas, relata venezuelano deportado e preso em megapenitenciária de El Salvador
Foto: Divulgação

eportado dos EUA sob suspeita sem provas, imigrante descreve espancamentos, humilhações e desespero no Cecot, presídio símbolo da política de segurança de Bukele.

O venezuelano Luis Chacón, de 27 anos, afirma que tentou se suicidar após sofrer sessões repetidas de espancamento e maus-tratos no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), em El Salvador. Deportado dos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump, ele diz ter sido acusado sem provas de integrar a facção criminosa Tren de Aragua, assim como outros 251 venezuelanos enviados ao presídio de segurança máxima.

 

A trajetória de Chacón como migrante começou anos antes da prisão. Ele deixou a Venezuela em razão da crise econômica, passou pelo Chile, onde trabalhava como entregador, e sofreu um grave acidente de moto que o deixou com sequelas na perna. Sem condições de sustentar a família, decidiu tentar recomeçar nos EUA. Mesmo ferido, atravessou a selva de Darién, no Panamá, usando muletas, ao lado da esposa e dos filhos.

 

Nos Estados Unidos, trabalhou até março de 2025, quando foi detido após uma abordagem policial por um farol queimado. Durante a checagem, os agentes encontraram uma multa de trânsito em aberto e constataram que ele não havia regularizado sua situação migratória. Pouco depois, ao perceberem suas tatuagens, autoridades o associaram à facção criminosa venezuelana —acusação que ele nega.

 

 

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Dados analisados pelas ONGs Human Rights Watch e Cristosal indicam que menos de 4% dos venezuelanos deportados tinham condenações por crimes violentos, enquanto quase metade não possuía qualquer antecedente criminal. Mesmo assim, Chacón foi enviado ao Cecot, conhecido por suas condições extremas de encarceramento.

 

Ao chegar ao presídio, ele relata ter sido submetido a agressões físicas, ameaças de morte, humilhações públicas e nudez forçada. Segundo o depoimento, os detentos eram obrigados a permanecer ajoelhados por longos períodos, sofriam espancamentos frequentes e eram mantidos sob vigilância constante, sem acesso a banho de sol e com luzes acesas 24 horas por dia.

 

O venezuelano afirma que participou de um motim motivado pelo medo das revistas violentas realizadas pelos agentes. Após o episódio, diz que os castigos se intensificaram. Ele relata ter sido levado a uma cela de isolamento, onde sofreu agressões por cerca de uma hora, incluindo tentativas de afogamento. Os golpes teriam agravado uma lesão antiga na perna.

 

O ápice do sofrimento ocorreu no dia 25 de junho, quando, abalado emocionalmente e sem notícias da família, tentou se enforcar com um lençol. A tentativa foi interrompida por outros presos, que o impediram de cometer o ato.

 

Chacón também relata que, semanas antes da liberação, houve uma mudança repentina na rotina do presídio: itens de higiene passaram a ser distribuídos, houve atendimento médico e psicológico, além de melhorias pontuais na alimentação. Em julho, ele e outros detentos foram informados de que seriam transferidos. Pouco depois, embarcaram em um voo de retorno à Venezuela.

 

Apesar de estar em liberdade, Chacón afirma que continua traumatizado. Ele relata pesadelos frequentes, dificuldades para dormir e sequelas físicas das agressões. Seus filhos permanecem nos Estados Unidos, e sua mãe enfrenta um tratamento contra o câncer, o que o leva a considerar deixar novamente o país em busca de meios para ajudar a família.

 

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Segundo ele, o apoio recebido do governo venezuelano após o retorno foi limitado a promessas e um auxílio financeiro temporário. “O pesadelo acabou, mas as consequências continuam”, resume. 

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