Queda da bolsa pode abrir oportunidades em empresas negociadas com desconto, mas juros altos, incertezas fiscais e dificuldades financeiras de companhias elevam o risco de novas perdas
A forte queda da Bolsa de Valores brasileira reacendeu o debate sobre o momento de investir em ações. Na segunda-feira (26), o Ibovespa recuou 13,88% e encerrou o pregão aos 176.608 pontos, registrando a maior queda diária desde março de 2020, período marcado pelo início da pandemia de Covid-19.
Com o movimento, o mercado brasileiro perdeu cerca de R$ 734 bilhões em valor de mercado, segundo levantamento da Elos Ayta. A reação ocorreu após o resultado da eleição presidencial provocar uma revisão das expectativas de parte dos investidores sobre os rumos da economia, as contas públicas e o controle da dívida do governo.
Apesar da desvalorização, especialistas alertam que a queda dos preços não significa, necessariamente, que todas as ações estejam baratas. Para avaliar uma possível oportunidade, é necessário observar a situação financeira de cada empresa, sua capacidade de gerar lucro, o nível de endividamento e as perspectivas para os próximos resultados.
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Outro ponto importante é o cenário de juros elevados e incerteza econômica. Quando o custo do crédito aumenta, as empresas podem enfrentar dificuldades para financiar suas atividades, quitar dívidas e realizar investimentos. Por isso, uma ação negociada por um preço menor pode continuar apresentando riscos caso as perspectivas de lucro também tenham piorado.
Empresas exportadoras e companhias com menor endividamento passaram a ser observadas com atenção por analistas. A valorização do dólar pode favorecer negócios que recebem parte de suas receitas em moeda estrangeira, embora o efeito dependa dos custos, das dívidas e da exposição cambial de cada companhia. Empresas de setores menos sensíveis às oscilações econômicas também entram nessa análise.
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O futuro da Bolsa dependerá ainda dos sinais sobre a política econômica, da condução das contas públicas e das decisões relacionadas aos juros e à inflação. Nesse cenário, analistas destacam a importância de avaliar os fundamentos de cada empresa, em vez de considerar apenas a queda recente das cotações como motivo para investir.