Cristiano Zanin, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
Investigados que estão na mira do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso da trama golpista apostam em uma “teoria Zanin” para insistir numa tese que leve ao esvaziamento ou até à anulação do inquérito que mira o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 30 pessoas no caso da trama golpista.
A “teoria Zanin”, como foi batizada pelos próprios defensores, consiste em copiar a estratégia adotada pelo ex-advogado do presidente Lula e hoje ministro do Supremo contra a Operação Lava-Jato, de contestar até o final a investigação, as provas colhidas e a condução do julgamento no STF.
No caso da trama golpista, nos julgamentos dos quatro núcleos da denúncia apresentada pela PGR, as defesas continuam apresentando o mesmo tipo de contestação, apesar das constantes negativas do Supremo.
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Assim, sempre que tem chance, os advogados pedem o impedimento dos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin; contestam a competência da Primeira Turma para analisar as denúncias, ao invés do plenário; e pedem a anulação do acordo de colaboração premiada firmado entre o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, com a Polícia Federal.
Todas essas teses foram rechaçadas por unanimidade pela Primeira Turma, à exceção da tentativa de levar a análise da denúncia para o escrutínio dos 11 ministros no plenário, o que foi acolhido apenas pelo ministro Luiz Fux.
“É necessário insistir, porque em algum momento alguém pode olhar com outros olhos”, diz um dos advogados que atua no caso. “Eu posso ter 50 chances de gols, mas só preciso de um para sair vitorioso no fim do dia.”
A menção o ministro Cristiano Zanin, que hoje é presidente da Primeira Turma do STF, é proposital e comentada abertamente nas equipes jurídicas dos réus da trama golpista.
Na época da Lava-Jato, Zanin insistiu na tese jurídica da suspeição de Sergio Moro, apontando parcialidade do então juiz federal da Lava-Jato na ação do triplex do Guarujá, que condenou Lula a nove anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em julho de 2017.
Zanin também apontou a suspeição dos desembargadores João Pedro Gebran Neto e Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), no caso do sítio de Atibaia - processo em que o petista teve a pena aumentada pelo tribunal para 12 anos e 11 meses para 17 anos, 1 mês e 10 dias, em novembro de 2019.
Lula acumulou uma série de reveses na Justiça, até o relator da Lava-Jato no STF, ministro Edson Fachin, decidir em março de 2021 que a 13ª Vara Federal de Curitiba não era competente para cuidar das investigações contra o ex-presidente da República.
Na época, a Lava-Jato entrou em declínio e perdeu apoio no Supremo após virem à tona mensagens obtidas ilegalmente pelo hacker Walter Delgatti Netto, conhecido como hacker de Araraquara, no bojo da Operação Spoofing, que obteve acesso a conversas de Moro e procuradores da força-tarefa de Curitiba.
A decisão de Fachin restaurou a elegibilidade de Lula e pavimentou o caminho para o petista se reabilitar politicamente e disputar as eleições presidenciais de 2022.
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Agora, advogados que atuam no caso da trama golpista apostam em uma nova mudança de clima político, com uma eventual derrota de Lula e a vitória de um candidato da direita, para virar o jogo.
Fonte: O Globo