Conversa por telefone com o presidente chinês preserva tom amigável para não criar riscos à visita do americano a Pequim, prevista para abril
Enquanto intensifica críticas e tarifas contra diversos países, o presidente americano, Donald Trump, mantém postura conciliatória com a China. Em conversa telefônica realizada na quarta-feira com o presidente chinês Xi Jinping, Trump indicou que pretende preservar a trégua comercial com Pequim, ao menos até a visita que planeja fazer ao país em abril.
Analistas apontam que a aproximação de Trump com a China se explica por alguns fatores claros: a admiração do presidente americano por força e poder — atributos que Xi e a China demonstram em abundância — e seu enfoque em resultados concretos e negócios, sem o viés ideológico que marcou o governo anterior. A trégua de um ano na guerra comercial, declarada após recuo dos EUA diante de ameaças chinesas sobre minerais estratégicos, reforça a necessidade de manter a postura cautelosa.
Em entrevista à NBC após o telefonema, Trump afirmou que a conversa de quase uma hora foi “excelente” e centrada principalmente em temas econômicos, deixando de lado assuntos como direitos humanos, que estavam na pauta de seu antecessor Joe Biden. “A relação com a China, e a minha relação pessoal com Xi, é extremamente boa”, disse o presidente americano.
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Do lado chinês, a versão oficial da conversa também ressaltou a boa comunicação entre os países, com Xi destacando que “a China leva a sério o que diz e cumpre seus compromissos”. Pequim enfatizou, porém, que Taiwan permanece como o tema mais importante nas relações bilaterais, reiterando que a ilha é território chinês e que a soberania nacional não será comprometida. Diplomatas observam que o tom chinês em relação a Taiwan tem endurecido, embora isso não signifique necessariamente maior risco de ação militar imediata.
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O relato da conversa difere entre os dois países. Enquanto Trump citou comércio de soja, motores de aviões, Irã e Ucrânia, essas questões não aparecem na versão chinesa, que ressaltou, de forma velada, a estabilidade internacional e a cooperação de Pequim com Rússia, Irã e Venezuela. Xi Jinping, horas antes da conversa com Trump, teve um encontro festivo com Vladimir Putin, reforçando os laços estratégicos entre China e Rússia. Pequim também anunciou participação em manobras navais conjuntas com Rússia e Irã no Oceano Índico, mantendo-se firme em suas alianças geopolíticas, mesmo sob pressão americana.