Representantes da Ucrânia e da Rússia iniciaram nesta terça-feira dois dias de negociações de paz em Genebra, na Suíça, em conversas mediadas pelos Estados Unidos e marcadas por forte pressão do presidente americano Donald Trump para que Kiev aceite avançar rapidamente rumo a um acordo.
O principal ponto em debate é a questão territorial, em meio à maior guerra em solo europeu desde 1945. Enquanto Washington tenta acelerar as tratativas, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy afirma que seu país vem sofrendo a maior parte da pressão por concessões.
O chefe da delegação ucraniana, Rustem Umerov, afirmou que temas de segurança e questões humanitárias estão no centro da pauta. “Estamos trabalhando de forma construtiva, focados e sem expectativas excessivas. Nossa tarefa é avançar ao máximo nas soluções que podem aproximar uma paz sustentável”, escreveu Umerov nas redes sociais.
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Pouco antes do início das conversas, a Rússia lançou ataques aéreos pesados durante a madrugada em várias regiões da Ucrânia. Um dos alvos foi a cidade portuária de Odessa, onde danos à rede elétrica deixaram dezenas de milhares de pessoas sem aquecimento e água, segundo Zelensky.
Diante da ofensiva, o presidente ucraniano voltou a pedir que aliados aumentem a pressão sobre Moscou, defendendo sanções mais duras e o envio de mais armas como forma de forçar um acordo “real e justo”. Questionado por jornalistas sobre o que esperava das negociações em Genebra, Trump foi direto ao apontar para a Ucrânia:
“Temos grandes negociações. Vai ser muito fácil. Até agora, é melhor a Ucrânia se sentar à mesa rapidamente. É tudo o que tenho a dizer”, afirmou o presidente americano a bordo do avião presidencial. A Rússia exige que a Ucrânia ceda os cerca de 20% restantes da região oriental de Donetsk que ainda não estão sob controle russo — condição rejeitada por Kiev.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que desta vez a intenção é discutir um conjunto mais amplo de temas, incluindo os territórios e todas as exigências apresentadas por Moscou. O encontro em Genebra ocorre após duas rodadas anteriores em Abu Dhabi, consideradas construtivas, mas sem avanços concretos. A delegação dos EUA é liderada por Steve Witkoff e Jared Kushner, segundo fontes ligadas às negociações.
Em uma movimentação rara, os enviados americanos participaram ainda de conversas indiretas com autoridades do Irã na mesma cidade, antes de atravessarem Genebra para atuar como mediadores entre russos e ucranianos.
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Apesar do início do diálogo, o clima segue tenso. Com bombardeios em andamento e posições ainda distantes sobre o futuro dos territórios ocupados, o mundo acompanha com cautela mais uma tentativa de encerrar um conflito que já custou milhares de vidas e segue sem solução à vista.