Projeto inédito em São Gabriel da Cachoeira busca preparar jovens indígenas para o Enem e fortalecer inclusão acadêmica
A Universidade Federal do Amazonas lançou um cursinho preparatório voltado a estudantes indígenas do ensino médio em São Gabriel da Cachoeira. Batizada de Projeto Igarapé: Travessias para a Universidade, a iniciativa tem como objetivo ampliar o acesso ao ensino superior por meio da preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio.
A proposta foi aprovada pela Pró-Reitoria de Extensão da universidade e submetida ao Ministério da Educação dentro do edital da Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP). O projeto também representa uma parceria inédita entre a UFAM, o Instituto Federal do Amazonas e organizações indígenas da região do Rio Negro.
O município de São Gabriel da Cachoeira possui a maior proporção de população indígena do país, com mais de 90% dos habitantes pertencentes a diversas etnias. Apesar disso, o número de indígenas com ensino superior ainda é baixo, o que motivou a criação do cursinho para reduzir essa desigualdade educacional.
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A iniciativa integra o processo de implantação de um novo campus da UFAM na cidade. Além de preparar os estudantes para o ingresso na universidade, o projeto busca formar profissionais que possam atuar no próprio território, contribuindo para o desenvolvimento local. Pelo menos 40% das vagas serão destinadas a mulheres indígenas.
O curso será presencial, realizado no campus do IFAM, com duração de oito meses. A estrutura inclui aulas organizadas por áreas do Enem, simulados periódicos e encontros voltados ao apoio psicopedagógico, abordando estratégias de estudo e preparação emocional.
Outro diferencial está na abordagem pedagógica, que incorpora temas como interculturalidade, protagonismo feminino, sustentabilidade amazônica e educação antirracista. A metodologia também valoriza a diversidade linguística da região, reconhecendo idiomas como Nheengatu, Tukano, Baniwa e Yanomami.
Para ampliar o alcance, o projeto utilizará conteúdos em áudio, como podcasts e programas de rádio, permitindo que estudantes de comunidades mais isoladas também tenham acesso ao material didático.
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A ação conta ainda com a participação da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), reforçando o compromisso de construir uma política educacional alinhada às necessidades e realidades das populações indígenas da Amazônia.