Moreira-Almeida diz que há evidências muito sugestivas de sobrevivência da consciência ou da chamada vida após a morte
A existência ou não de vida após a morte é uma dúvida que, muito provavelmente, já atravessou a mente de todo o ser humano que habita este planeta. Se sim, onde, então, está a mente, a consciência do ser humano? O pensamento ortodoxo diz que ela é fruto do cérebro, mas se esse órgão primordial deixa de funcionar, como então existem relatos de pessoas que vivenciaram experiências enquanto estavam clinicamente mortas?
A busca de respostas científicas para essas questões é o que molda a carreira do psiquiatra e professor titular de psiquiatria da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Alexander Moreira-Almeida. Ainda na residência na USP, em 1999, ele participou da fundação do Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos (Neper), do Instituto de Psiquiatria da USP.
O tema da espiritualidade continuou presente no seu doutorado na USP e no pós-doutorado na Duke University (nos EUA). Em 2006, já na UFJF, fundou o Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (Nupes), dedicado, também, à divulgação científica do assunto.
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Ao longo de todo esse período, superou críticas a seu trabalho e ganhou notoriedade internacional. Em 2025, recebeu o prêmio Oskar Pfister da Associação Americana de Psiquiatria.
Anteriormente. foi coordenador das Seções de Espiritualidade e Psiquiatria das associações Mundial e Brasileira de Psiquiatria. Em 2023, publicou o livro Ciência da vida após a morte. Em maio, participará do 6° Summit Global de Espiritualidade, Religião e Saúde Mental, na UNiversidade de Harvard.

“Pesquisamos tanto o impacto das crenças, das práticas religiosas e espirituais sobre a saúde, por exemplo, aumentando ou diminuindo depressão, ansiedade, problemas com drogas, assim como também as experiências espirituais, como experiências de quase morte (EQM), de final de vida, experiências de aparição etc.”, conta.

Fotos: Reprodução
Ele participou como orientador da investigação científica de casos de EQM da tese de doutorado da pesquisadora e professora Monalisa Claudia Maria da Silva, em 2023. O estudo teve como base 200 relatos de pessoas de todo o Brasil que diziam ter passado por uma EQM, que ocorre quando a pessoa está clinicamente morta e seu cérebro não registra nenhuma atividade.
Eles relataram coisas que aconteciam em volta delas enquanto estavam nesse estado. Nós chamamos isso de percepção verídica de EQM (ou seja, as descrições foram confirmadas)."
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O pesquisador cita um exemplo “muito clássico” de EQM publicado na revista científica The Lancet sobre um paciente, na Holanda, que chegou ao pronto-socorro com parada cardíaca e passou pelos procedimentos de reanimação. “Custaram para conseguir reanimá-lo”, diz Moreira-Almeida.