Sargento Salazar publicou gravação em que equipe simula incorporação para assustar assessor; conteúdo provocou reação nas redes sociais.
O vereador de Manaus e candidato a deputado federal pelo Amazonas, Sargento Salazar (PL), virou alvo de críticas nas redes sociais após publicar um vídeo de uma “trolagem” feita com o assessor Kidson Maia.
A gravação foi publicada na quinta-feira (27) e mostra o parlamentar combinando com integrantes da equipe uma encenação para assustar o assessor, que estava dentro de um carro.
No início do vídeo, Salazar afirma que o videomaker da equipe seria “macumbeiro” e que iria simular uma suposta incorporação espiritual para provocar medo em Kidson.
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Durante a brincadeira, o vereador diz que o assessor teria “pavor de macumba” e explica que o integrante da equipe fingiria estar incorporando uma entidade.
Para registrar a reação do assessor sem que ele percebesse, a equipe utilizou um óculos equipado com câmera.
Nas imagens, o videomaker permanece no banco traseiro do veículo e simula uma suposta incorporação enquanto Salazar acompanha a situação e participa da encenação.
O assessor demonstra medo durante a situação. Pouco depois, os integrantes da equipe começam a rir e revelam que tudo havia sido planejado.
Na sequência, Salazar mostra ao assessor que a reação dele havia sido registrada pela câmera utilizada durante a “trolagem”.
USO DE TERMO ASSOCIADO A RELIGIÕES AFRICANAS PROVOCA CRÍTICAS
Após a publicação, o vídeo passou a ser compartilhado nas redes sociais e recebeu críticas de internautas. Parte das manifestações questionou o uso de elementos associados às religiões de matriz africana como recurso para provocar medo ou fazer uma brincadeira.
O termo “macumba”, embora tenha diferentes significados históricos e culturais no Brasil, também é frequentemente utilizado de forma pejorativa para se referir genericamente a práticas e religiões de matriz africana.
O tema também possui implicações jurídicas. A Lei nº 14.532/2023 modificou a legislação brasileira e passou a prever expressamente situações relacionadas ao racismo religioso e recreativo. A norma estabelece que condutas que provoquem constrangimento, humilhação, vergonha, medo ou exposição indevida em razão da religião podem ser enquadradas como discriminatórias, conforme as circunstâncias do caso.
A legislação também prevê tratamento penal específico para casos de injúria envolvendo elementos relacionados à religião.

Foto: Reprodução
INTOLERÂNCIA CONTRA RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA
Religiões como Umbanda e Candomblé enfrentam historicamente episódios de preconceito, intolerância e estigmatização no Brasil.
O Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheceu a existência de preconceito estrutural contra religiões de matriz africana e ressaltou a importância da proteção constitucional à liberdade religiosa e aos cultos.
O debate sobre o chamado racismo recreativo também ganhou espaço no Judiciário. Em decisões recentes, ministros do STF destacaram que alegações de “brincadeira” ou humor não afastam necessariamente a possibilidade de uma conduta ser considerada ofensiva ou discriminatória.
A equipe do Portal AM Post procurou a assessoria do vereador Sargento Salazar para saber seu posicionamento sobre o vídeo e as críticas relacionadas ao uso de elementos de religiões de matriz africana na brincadeira.
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Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
VEJA VÍDEO: