Período já é considerado a nova data-chave do varejo digital, que aposta em descontos agressivos e cadastramento de livros escolares por escola
Um olho nas prateleiras das papelarias e outro nas promoções da internet. Essa foi a estratégia adotada pela juíza Milena Diz, de 49 anos, para tentar economizar na compra da extensa lista de materiais escolares dos filhos Bernardo, de 15 anos, e Benjamin, de 10. A tática reflete a realidade de milhares de famílias brasileiras na volta às aulas, que em 2025 está pesando ainda mais no orçamento.
Levantamento do FGV Ibre mostra que os materiais escolares — incluindo itens de papelaria e livros — ficaram 2,35% mais caros em 2025. O aumento ficou abaixo da inflação geral, mas foi superior ao registrado no ano anterior, quando a alta foi de 1,25%.
Enquanto canetas, cadernos e outros itens de papelaria chegaram a registrar queda de preços, os livros didáticos puxaram o aumento, com alta média de 5%, bem acima dos 1,12% registrados em 2024.
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Segundo o economista Matheus Dias, do FGV Ibre, o principal vilão é a matéria-prima. “A celulose, base dos livros, teve aumento expressivo em 2024, em torno de 40%, e isso foi repassado ao longo de 2025. Além disso, os livros didáticos têm vida útil curta e mercado restrito”, explica.
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PESQUISAR VIROU OBRIGAÇÃO
Para quem já foi às compras, o impacto no bolso é ainda maior. Pesquisa do Procon-RJ apontou alta média de 17,8% em relação ao ano passado, com grandes diferenças entre produtos e estabelecimentos. Já o Procon-SP identificou variação de até 276% no preço de um mesmo item, reforçando que pesquisar é essencial.
Para tentar reduzir a conta, muitas famílias dividem as compras entre várias lojas. De olho nesse movimento, a volta às aulas virou uma verdadeira nova Black Friday do varejo, com intensa disputa entre lojas físicas e plataformas digitais.
Enquanto o e-commerce aposta em descontos, parcelamentos e cupons, as lojas físicas investem em promoções, brindes e um mix variado de produtos para agradar pais e filhos.
Com os preços elevados, Milena optou por comprar os livros pela internet e deixou itens como cadernos e canetas para as lojas físicas, onde os filhos podem escolher modelos e estampas.
“As compras on-line não ficaram mais caras, mas o aumento dos livros é o que mais pesa no orçamento”, relata.
PLATAFORMAS DIGITAIS ENTRAM NO JOGO
De olho no problema, a Amazon lançou o site minhalistadaescola.com.br, onde colégios cadastram as listas de livros e os pais compram diretamente. Cerca de 50 escolas já participam da ferramenta.
Segundo Ricardo Perez, líder da área de Livros da Amazon no Brasil, a plataforma garante praticidade e entrega antes do início das aulas. Além disso, a empresa oferece até 60% de desconto em cerca de 20 mil itens, descontos progressivos e vantagens extras para clientes Prime.
A Shopee também entrou forte na disputa, com uma área exclusiva para volta às aulas, oferecendo até 40% de desconto e cupons em compras acima de determinado valor. Já a Estante Virtual, do grupo Magalu, ampliou a política de frete grátis para livros novos e usados.
LOJAS FÍSICAS APOSTAM EM EXPERIÊNCIA
Para não perder clientes para o digital, grandes redes físicas reforçaram o apelo visual, com produtos licenciados de filmes, séries e personagens populares entre crianças e adolescentes.
Na Americanas, a estratégia inclui integração entre loja física e on-line, além de uma parceria com o iFood, permitindo compras pelo aplicativo com entrega a partir da loja mais próxima. A expectativa é de crescimento de dois dígitos nas vendas do período.
Outras papelarias apostaram em brindes, parcelamento sem juros e parcerias com atrações de lazer, como ingressos para parques e aquários. A rede Caçula, por exemplo, ampliou o mix com produtos licenciados do Flamengo, Stranger Things e influenciadores infantis.
“O e-commerce cresce de forma avassaladora. Para não perder o cliente, precisamos oferecer mais do que preço: é preciso criar experiências”, afirma João Salazar, gerente comercial da rede.
COMPRAS ANTECIPADAS VIRAM ESTRATÉGIA
Com tantos gastos concentrados no início do ano, muitos pais optaram por antecipar as compras. Na Kalunga, foram contratados mil funcionários extras para atender a demanda, e a empresa investiu em entregas expressas de até quatro horas.
Mãe de dois meninos, a cirurgiã-dentista Thais Moura, de 39 anos, começou a saga ainda em outubro. Aproveitou a Black Friday, comprou parte on-line com cupons e outra em lojas populares. Mesmo assim, calcula ter gasto cerca de R$ 5 mil por filho.
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“Esse valor pesa absurdamente no orçamento. Por isso, me planejei e comecei cedo”, relata.