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Wagner resiste a deixar liderança no Senado, mas Planalto avalia mudança após desgaste político
Foto: Divulgação

Após operação da PF e tensões internas no governo, articulação em Brasília pressiona por saída de Jaques Wagner da liderança.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, tem resistido a abrir mão do cargo mesmo diante de uma articulação crescente dentro do governo federal para sua substituição. Aliados afirmam que ele só deixaria a função mediante solicitação direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Uma reunião entre os dois deve ocorrer na próxima quarta-feira (24), quando Wagner retorna a Brasília. A expectativa no entorno do Planalto é que Lula trate diretamente da mudança e recomende o afastamento, caso o próprio senador não tome a iniciativa antes do encontro.

 

Nos bastidores, auxiliares do governo avaliam alternativas para uma transição que possa ocorrer após a agenda presidencial na Bahia, prevista para 2 de julho. A ideia ventilada por aliados seria permitir que Wagner permaneça no posto até esse compromisso, alegando necessidade de focar na articulação política em seu estado.

 

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A pressão aumentou após o senador ser citado em meio a desdobramentos de uma operação da Polícia Federal envolvendo investigações relacionadas ao Banco Master. No governo, a leitura é de que a permanência no cargo ampliou a exposição política do caso e contribuiu para o desgaste do próprio Planalto.

 

Interlocutores próximos ao presidente também avaliam que a permanência de Wagner na liderança mantém o tema em evidência, o que dificultaria sua estratégia de defesa. Ainda assim, Lula tem sinalizado respeito pessoal ao senador e evita demonstrar ruptura política direta.

 

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, é um dos que defendem uma solução que reduza o impacto político do episódio sobre o governo, sob o argumento de preservar a imagem do Planalto e evitar que a crise se prolongue.

 

Dentro do Congresso, também há críticas à articulação política do governo, especialmente após episódios recentes envolvendo derrotas em votações e tensões com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

 

O episódio também ocorre em meio a outras movimentações políticas que envolvem o ambiente investigativo no país, incluindo citações indiretas a figuras como Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro, além de nomes ligados ao setor financeiro, como Daniel Vorcaro, dentro de apurações em curso.

 

Wagner, por sua vez, afirma a aliados que sua permanência na liderança é estratégica para evitar prejuízos à articulação política do governo na Bahia, estado considerado central para o desempenho eleitoral do presidente em disputas recentes.

 

Segundo relatos, Lula chegou a telefonar ao senador após a operação da PF, em um gesto de solidariedade. No entanto, interlocutores do governo avaliam que esse apoio não significa manutenção automática no cargo, mas sim uma tentativa de conduzir uma transição sem ruptura pública.

 

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Em entrevista recente, Wagner afirmou que permanece na liderança “até segunda ordem” e destacou sua relação de confiança com o presidente. Dentro do governo, porém, a avaliação é de que suas declarações ampliaram a exposição do caso e aumentaram a pressão por uma decisão definitiva. 

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