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Wero e a batalha da soberania financeira: como a Europa acelera o fim do monopólio americano sobre o dinheiro digital
Foto: Reprodução

*Plínio Cesar A Coêlho - O alerta do Banco Central Europeu não foi apenas técnico — foi político. Ao acelerar a criação de um sistema próprio de pagamentos digitais com o Wero, a Europa entra em uma frente sensível que há décadas permanecia intocada: o domínio absoluto das redes americanas sobre o fluxo financeiro global.

 

São US$ 24 trilhões processados anualmente por Visa e Mastercard que agora entram na mira de uma estratégia continental. Não se trata apenas de conveniência ou inovação. Trata-se de jurisdição, soberania de dados e, acima de tudo, de poder.

 

Os Estados Unidos sustentaram sua hegemonia no pós-guerra sobre dois pilares: o dólar como moeda de reserva internacional — cumprindo as três funções clássicas da moeda definidas por Keynes — e o poder militar, com seu arsenal nuclear. O mundo inteiro, do Ocidente ao Oriente, do Norte ao Sul global, opera sob essa arquitetura.

 

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Romper esse ciclo exige mais que tanques e ogivas. Exige a desconstrução do monopólio monetário e financeiro. A Europa, com o euro já consolidado, agora ataca o elo seguinte: o domínio dos instrumentos digitais de pagamento. Visa e Mastercard são o braço capilar do dólar no cotidiano das pessoas. Retirá-las da rota é golpear o soft power americano onde ele mais dói — no bolso e no controle dos dados.

 

Nesse movimento, a União Europeia olha para o espelho dos BRICS. O bloco, que já avança na criação de mecanismos próprios de liquidação e moedas digitais soberanas, tornou-se referência. A mensagem é clara: se queremos um mundo multipolar, é preciso construir alternativas concretas, moeda por moeda, transação por transação.

 

O Wero não é apenas um sistema de pagamentos. É uma declaração. Uma demonstração de que o bastão da hegemonia financeira pode, finalmente, mudar de mãos.

 

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*Plinio Cesar Albuquerque Coêlho é professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). É mestre em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutorando na Universidade de Ciências Empresariais e Sociais (UCES), em Buenos Aires.

 

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