Tecnologia de radiofrequência promete melhorar a firmeza e a qualidade da pele do rosto e do corpo, mas especialistas ressaltam que a indicação deve ser individualizada e depender de avaliação médica.
Uma tecnologia estética tem despertado o interesse de pessoas que buscam melhorar a firmeza da pele e reduzir a flacidez: o XERF. O procedimento ganhou visibilidade após ser adotado por famosas e passou a chamar a atenção de quem procura alternativas para cuidar da pele e amenizar os sinais do envelhecimento.
Mas, além da popularidade, é importante entender como a tecnologia funciona, quais resultados podem ser esperados e para quem ela é indicada. A médica Yanna Simões, que atua na área de estética médica e cuidados com a pele e o corpo, explica que o XERF utiliza radiofrequência monopolar para estimular os tecidos em diferentes profundidades.
“O XERF é uma tecnologia de radiofrequência monopolar que, diferente das outras do mercado, trabalha com duas frequências, de 6,78 MHz e 2 MHz. Isso permite que a gente entregue energia em diferentes profundidades do tecido, de acordo com a necessidade de cada paciente. Mas eu gosto de pensar no XERF não como um tratamento isolado, e sim como uma ferramenta dentro do gerenciamento do envelhecimento”, explica a médica.
Veja também

Florescer aos 60+: ter planos para o futuro é questão de bem-estar, dizem especialistas
Caminhar de 3 mil a 5 mil passos por dia pode retardar declínio cognitivo associado ao Alzheimer
Com o passar dos anos, a pele sofre mudanças naturais, incluindo a redução progressiva da produção de colágeno, proteína importante para sua firmeza e sustentação. A proposta do tratamento é estimular os tecidos e contribuir para a melhora da qualidade da pele, respeitando as características e as necessidades de cada pessoa.
Segundo Yanna, a tecnologia pode ser considerada tanto para tratar sinais de flacidez já existentes quanto como parte de um planejamento de cuidados ao longo do envelhecimento. A indicação, porém, deve levar em conta fatores como anatomia, condição da pele e objetivos do paciente.
COMO FUNCIONA O PROCEDIMENTO?
Durante a sessão, o equipamento realiza disparos de energia sobre a pele. O aquecimento controlado dos tecidos promove um estímulo que busca favorecer a remodelação e a produção de colágeno.
A médica explica que os parâmetros de aplicação são definidos de acordo com a região tratada e as características individuais de cada paciente. A profundidade e a intensidade da energia podem ser ajustadas conforme a avaliação realizada antes do procedimento.
Um dos recursos da tecnologia é o sistema de resfriamento, que ajuda a proteger a superfície da pele enquanto a energia atua nas camadas mais profundas. De acordo com Yanna, os pacientes costumam sentir principalmente uma sensação de aquecimento durante a aplicação.
A médica também destaca que, em geral, o procedimento é realizado sem necessidade de anestesia e não exige um período prolongado de recuperação. Ainda assim, a experiência pode variar de acordo com a sensibilidade individual e a área tratada, e as orientações médicas devem ser seguidas.
QUANDO OS RESULTADOS COMEÇAM A APARECER?
Os efeitos do XERF não são necessariamente imediatos. Embora algumas pessoas possam perceber uma sensação inicial de maior firmeza, a resposta mais significativa depende do processo gradual de remodelação dos tecidos.
“Alguns pacientes percebem a pele um pouco mais firme logo depois da sessão, mas eu sempre explico que o resultado mais importante vem com o tempo. O processo de estímulo de colágeno leva em torno de 90 dias, então é ao longo desses três meses que a gente vai percebendo uma melhora progressiva da firmeza, da flacidez, da textura e da qualidade da pele como um todo”, afirma Yanna.
O tempo e a intensidade dos resultados variam de pessoa para pessoa. Por isso, a avaliação médica é essencial para estabelecer expectativas realistas e definir se uma sessão será suficiente ou se outras abordagens poderão ser consideradas.
QUAIS REGIÕES PODEM SER TRATADAS?
A tecnologia pode ser utilizada em diferentes áreas do rosto e do corpo, conforme a avaliação profissional. No rosto, o tratamento busca melhorar a firmeza, a qualidade da pele e o contorno facial, com atenção especial à região da mandíbula, à papada e ao pescoço.
No corpo, as áreas que podem ser avaliadas incluem braços, abdômen, coxas e a região acima dos joelhos, onde a flacidez pode ser uma queixa frequente.
A escolha das regiões e dos parâmetros de aplicação depende das necessidades de cada paciente. A médica ressalta que o objetivo não deve ser estimular o colágeno indiscriminadamente, mas identificar onde o tratamento pode ser mais adequado. Em alguns casos, a combinação com outras tecnologias ou procedimentos pode ser considerada pelo profissional.
TRATAMENTO NÃO DEVE SER ESCOLHIDO APENAS PELA FAMA
A popularidade do XERF entre celebridades pode despertar a curiosidade do público, mas não significa que o procedimento seja indicado para todas as pessoas. Antes de optar pela tecnologia, é necessário avaliar a queixa principal, as condições de saúde e as características da pele.
“Eu acho ótimo quando uma tecnologia ganha visibilidade porque desperta nas pessoas o interesse por novos tratamentos, mas a indicação nunca pode ser baseada apenas no fato de uma celebridade ter feito. Antes de qualquer procedimento, precisamos entender o que realmente incomoda aquele paciente e avaliar se aquela tecnologia é a melhor opção para ele. Nem toda flacidez é igual e nem todo paciente precisa do mesmo tratamento. Muitas vezes, inclusive, os melhores resultados vêm da associação de diferentes tecnologias ou procedimentos”, orienta Yanna.
Também existem situações em que o procedimento pode não ser recomendado. Condições de saúde, características da pele, presença de dispositivos ou implantes na região a ser tratada, gestação e outros fatores individuais precisam ser considerados durante a avaliação.
Por isso, a recomendação é procurar um profissional médico qualificado antes de realizar o tratamento. A indicação adequada, o planejamento individualizado e o esclarecimento sobre benefícios, limitações e possíveis riscos são fundamentais para uma decisão segura. A popularidade de uma tecnologia não substitui a avaliação profissional nem garante os mesmos resultados para todos os pacientes.