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Zema mantém discurso de união da direita, mas volta a criticar relação de Flávio com Vorcaro: 'bandido'
Foto: Reprodução

Ex-governador de Minas diz que não concorda com quem se aproxima de bandido, mas afirma que apoiará Flávio se ele chegar ao segundo turno

Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, busca equilíbrio entre críticas ao escândalo Master e apoio a Flávio Bolsonaro, apesar das relações deste com o banqueiro Daniel Vorcaro. Zema, que considera Vorcaro um "bandido", sente-se traído pelo envolvimento de Flávio, mas defende a união da direita contra a esquerda no segundo turno. Ele descarta ser vice de outros candidatos e mantém foco em consolidar sua candidatura.

 

Ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo) tem buscado equilibrar críticas ao escândalo do Master e acenos ao pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que mantinha relações com Daniel Vorcaro, ex-dono do banco. Em viagens pelo país para tentar consolidar seu nome na disputa, Zema concedeu duas entrevistas na manhã desta quarta-feira, no interior de São Paulo — uma à rádio Cruzeiro FM, de Sorocaba, e outra a uma afiliada da Jovem Pan, na mesma região. Nelas, voltou a tratar de Flávio e Vorcaro.

 

Por um lado, o mineiro diz estar decepcionado e se sentir traído pelo escândalo envolvendo o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas ao mesmo tempo sinaliza apoio a Flávio em um eventual segundo turno.

 

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— Mantenho a mesma posição, quem se aproxima de bandido você não pode estar concordando. Ministros do Supremo pegaram carona no jatinho do banqueiro bandido, fizeram negócios com o banqueiro bandido. E qualquer um que se aproxima dele, eu vou ter a mesma posição — disse, ao ser questionado sobre o envolvimento de Flávio no caso, em entrevista à Jovem Pan.

 

A crítica do mineiro faz referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Conforme apuração do jornal Folha de S.Paulo, Moraes viajou oito vezes em jatinhos de empresas ligadas ao dono do Banco Master entre maio e outubro de 2025. O ministro afirmou, em nota, que “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia”.

 

Zema foi questionado nas duas entrevistas sobre sua relação com Flávio, que, como mostrou um áudio revelado pelo Intercept Brasil, cobrou do banqueiro Daniel Vorcaro — preso por fraudes no mercado financeiro, lavagem de dinheiro e corrupção — patrocínio para o filme biográfico de Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, o banqueiro investiu cerca de R$ 61 milhões no longa-metragem, batizado de “Dark Horse”, expressão em inglês para "azarão".

 

O mineiro manteve as críticas ao banqueiro, a quem chamou repetidamente de bandido, e afirmou não concordar com a aproximação de agentes públicos com Vorcaro. Segundo o pré-candidato, ele se sentiu “traído” ao ver o nome de Flávio associado ao do empresário.

 

Zema, porém, foi questionado se essa posição crítica não seria conflitante com sua defesa de que a direita deveria se unir em um eventual segundo turno, mesmo que o candidato a chegar nessa fase fosse Flávio. O mineiro justificou que, entre o senador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, ele prefere estar ao lado do “menos ruim”.

 

— O que vai acontecer no Brasil é o que aconteceu no Chile. Alguns candidatos da direita disputaram o primeiro turno e, no segundo, todos se uniram contra a esquerda. Nós, da direita, vamos estar todos juntos no segundo turno contra a esquerda.

 

O ex-governador, porém, disse ter ficado surpreso com o envolvimento do filho de Bolsonaro no escândalo Master. Segundo Zema, ele se sentiu traído porque, meses antes, seu partido havia recebido a garantia de que Flávio não teria qualquer ligação com o caso.

 

— O Novo se aliou ao PL, do Flávio, e ele disse para nós, alguns meses atrás, que não tinha nada a ver com o banqueiro bandido. Então, se alguém foi traído nessa história, foi o Novo. Mas entre alguém que mata muitos e alguém que mata poucos, todos são ruins, mas, às vezes, você tem de fazer a escolha do menos ruim — concluiu.

 

Em um primeiro momento, quando o caso estourou, o pré-candidato do Novo publicou um vídeo nas redes sociais classificando o episódio como "imperdoável" e um "tapa na cara dos brasileiros de bem". Poucas semanas depois, ele apareceu com Flavio na feira agropecuária Megaleite, em Belo Horizonte. Na gravação, eles fazem um brinde e bebem copos de leite enquanto conversam e caminham pelo evento. Agora, o mineiro volta a endurecer as crítcias sobre caso.

 

PESQUISA GENIAL/QUAEST


Sobre a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta manhã, que mostra o mineiro com 2% das intenções de voto, Zema afirmou que o brasileiro “ainda não está conectado” ao tema e disse que manterá sua agenda de viagens pelo país para fortalecer seu nome, assim como fez em Minas Gerais em 2018, quando foi eleito governador.

 

— Em 2018, eu fiquei em terceiro ou quarto lugar até a última semana. Eu falo que eleição só acontece na véspera. O brasileiro hoje nem está sintonizado na Copa do Mundo, então a eleição só vai começar mais para frente, com os debates. Eu estou muito confortável — argumentou, em entrevista à rádio Cruzeiro.

 

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Zema encerrou a rodada de entrevistas descartando a possibilidade de ser vice de Ronaldo Caiado (PSD) ou de Flávio Bolsonaro. Segundo ele, todos os nomes da direita disputarão o primeiro turno de forma independente. 

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