Daniel Vorcaro teria alterado versão apresentada anteriormente e passado a classificar benefícios concedidos a políticos como vantagens indevidas, segundo informações encaminhadas à PF e à PGR.
Uma nova proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) trouxe mudanças significativas em relação a versões anteriormente apresentadas sobre sua relação com figuras políticas de destaque.
De acordo com informações obtidas por fontes ligadas às investigações, Vorcaro passou a afirmar que benefícios concedidos ao senador Ciro Nogueira e ao ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro teriam ocorrido em contexto de pagamento de propina, diferentemente da narrativa anterior, que descrevia as relações como de amizade e proximidade pessoal.
Segundo o novo relato, o banqueiro teria efetuado pagamentos indevidos a Cláudio Castro em troca de investimentos realizados por órgãos estaduais, incluindo a companhia de saneamento e o fundo previdenciário dos servidores do Rio de Janeiro, em produtos ligados ao Banco Master.
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Em relação a Ciro Nogueira, Vorcaro teria admitido que viagens e outras vantagens custeadas por ele possuíam relação com a apresentação de uma proposta legislativa conhecida como “Emenda Master”. A medida previa ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para investidores em caso de quebra de instituições financeiras.
As mudanças na versão apresentada pelo banqueiro ocorreram após investigadores identificarem mensagens trocadas entre Vorcaro e os dois políticos durante a análise de materiais apreendidos no curso das investigações, segundo relatos de pessoas que acompanham o caso.
A nova proposta de colaboração foi entregue na última semana e agora será analisada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que decidirão se o conteúdo reúne elementos suficientes para a formalização de um acordo de delação premiada.
Nos bastidores, há divergências sobre o alcance e a relevância das informações apresentadas. Enquanto investigadores avaliam que o material pode não trazer fatos inéditos capazes de justificar benefícios ao colaborador, a defesa de Vorcaro sustenta que a proposta contém informações novas e relevantes para as apurações em andamento.
Até o momento da publicação, não havia posicionamento público de Ciro Nogueira e Cláudio Castro sobre as novas alegações. O espaço permanece aberto para manifestações dos citados.
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Importante destacar que as declarações fazem parte de uma proposta de colaboração premiada ainda em análise pelas autoridades e não representam comprovação de culpa ou condenação dos envolvidos.