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''MACHO'': A POBREZA DE VOCABULÁRIO QUE VIROU SINAL DE INTIMIDADE
Foto: Divulgação

 

*Por Antônio Zacarias — Há certos hábitos de linguagem que sobrevivem não porque sejam bonitos, inteligentes ou necessários, mas simplesmente porque ninguém se dá ao trabalho de questioná-los. No Amazonas, um deles é o uso indiscriminado de “macho” para se dirigir a outro homem.

 

“Macho, tu tá bem?”. “Macho, olha isso”. “Macho, me ajuda aqui”. “Macho, tu viu o que aconteceu?”.

 

É “macho” para cá, “macho” para lá, como se o vocabulário tivesse entrado de férias e deixado apenas uma palavra de plantão.

 

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A palavra, originalmente um substantivo que designa o indivíduo do sexo masculino em determinadas espécies, ganhou entre os apedeutas uma função curiosa: virou pronome informal, vocativo, vírgula, ponto de exclamação e, em alguns casos, parece ser praticamente o único recurso disponível para iniciar uma conversa.

 

Não há nada de errado em uma expressão regional. Claro que não. A língua popular tem sua riqueza, sua espontaneidade e seus regionalismos. O problema começa quando a repetição transforma um costume em muleta linguística.

 

Há aí algo ainda mais curioso: chamar alguém de “macho” não significa necessariamente tratá-lo com intimidade. Às vezes, produz justamente o contrário: uma familiaridade forçada, quase uma invasão verbal. Há pessoas que não gostam de ser chamadas assim. Eu sou uma delas.

 

Confesso que, quando alguém se dirige a mim com um odioso “macho”, os meus instintos mais primitivos me batem à porta do cérebro e tenho vontade de esmurrá-lo até ele perder os sentidos.

 

Definitivamente, positivamente, odeio essa infame e desrespeitosa forma de tratamento.

 

Um idioma extraordinariamente rico como o português oferece “amigo”, “companheiro”, “meu caro”, “rapaz”, “irmão”, “colega” e uma infinidade de outras possibilidades. Mas, em determinadas bocas, parece que tudo foi reduzido a um monossílabo emocionalmente agressivo: “macho”.

 

É como se a conversa começasse antes mesmo de o pensamento aparecer.

 

Não se trata, claro, de proibir a palavra. Seria ridículo. Trata-se apenas de lembrar uma coisa elementar: palavra também é escolha. E diz muito sobre a pessoa.

 

Quem quiser dizer “macho”, que diga. Quem achar simpático, que use. Mas quem não gostar de ser chamado assim também merece ser respeitado.

 

Afinal, há uma diferença enorme entre regionalismo e obrigação. E, convenhamos, ninguém perde a masculinidade, a amizade ou a amazonidade simplesmente porque decidiu chamar o outro pelo nome.

 

Às vezes, inclusive, o nome da pessoa já resolve o problema. E sem precisar berrar “MACHO!” a cada três frases.

 

Tô certo ou tô errado? Comente aí embaixo e dê a sua opinião.

 

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* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.

 

Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.

 

Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.

 

Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

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