.jpeg)
*Por Antônio Zacarias — Há certos hábitos de linguagem que sobrevivem não porque sejam bonitos, inteligentes ou necessários, mas simplesmente porque ninguém se dá ao trabalho de questioná-los. No Amazonas, um deles é o uso indiscriminado de “macho” para se dirigir a outro homem.
“Macho, tu tá bem?”. “Macho, olha isso”. “Macho, me ajuda aqui”. “Macho, tu viu o que aconteceu?”.
É “macho” para cá, “macho” para lá, como se o vocabulário tivesse entrado de férias e deixado apenas uma palavra de plantão.
Veja também

Suspeita de invasão à antiga mansão de Silvio Santos mobiliza a polícia em São Paulo
Saiba o motivo da nova prisão do ex-marido de Maria da Penha
A palavra, originalmente um substantivo que designa o indivíduo do sexo masculino em determinadas espécies, ganhou entre os apedeutas uma função curiosa: virou pronome informal, vocativo, vírgula, ponto de exclamação e, em alguns casos, parece ser praticamente o único recurso disponível para iniciar uma conversa.
Não há nada de errado em uma expressão regional. Claro que não. A língua popular tem sua riqueza, sua espontaneidade e seus regionalismos. O problema começa quando a repetição transforma um costume em muleta linguística.
Há aí algo ainda mais curioso: chamar alguém de “macho” não significa necessariamente tratá-lo com intimidade. Às vezes, produz justamente o contrário: uma familiaridade forçada, quase uma invasão verbal. Há pessoas que não gostam de ser chamadas assim. Eu sou uma delas.
Confesso que, quando alguém se dirige a mim com um odioso “macho”, os meus instintos mais primitivos me batem à porta do cérebro e tenho vontade de esmurrá-lo até ele perder os sentidos.
Definitivamente, positivamente, odeio essa infame e desrespeitosa forma de tratamento.
Um idioma extraordinariamente rico como o português oferece “amigo”, “companheiro”, “meu caro”, “rapaz”, “irmão”, “colega” e uma infinidade de outras possibilidades. Mas, em determinadas bocas, parece que tudo foi reduzido a um monossílabo emocionalmente agressivo: “macho”.
É como se a conversa começasse antes mesmo de o pensamento aparecer.
Não se trata, claro, de proibir a palavra. Seria ridículo. Trata-se apenas de lembrar uma coisa elementar: palavra também é escolha. E diz muito sobre a pessoa.
Quem quiser dizer “macho”, que diga. Quem achar simpático, que use. Mas quem não gostar de ser chamado assim também merece ser respeitado.
Afinal, há uma diferença enorme entre regionalismo e obrigação. E, convenhamos, ninguém perde a masculinidade, a amizade ou a amazonidade simplesmente porque decidiu chamar o outro pelo nome.
Às vezes, inclusive, o nome da pessoa já resolve o problema. E sem precisar berrar “MACHO!” a cada três frases.
Tô certo ou tô errado? Comente aí embaixo e dê a sua opinião.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.